Tiago Nunes quer outra chance no Corinthians no futuro: “Experiência única”
- Por Nágela Gaia/Redação da Central do Timão
O ex-técnico do Corinthians, Tiago Nunes, foi o convidado do jornalista André Hernan no quadro “Ge Divide Tela” e abriu o coração a respeito de sua passagem pelo Corinthians.
Veja algumas falas do treinador que assumiu o Timão em janeiro e comandou a equipe em apenas 27 jogos, sendo demitido em setembro.
“Era um momento de transformação, a ideia desde o início era que se moldasse uma ideia de muito tempo, de um time mais defensivo que finalizava pouco, mas era muito eficiente, que tinha transições rápidas, mas que não era propositivo, para um time como se entende como atual. As rupturas causam desconforto, problemas e instabilidade”, afirmou.

Aprendizado
“Em nível de ganho profissional foi uma experiência única (…). Me transformou num treinador muito melhor do que o que eu era quando cheguei em janeiro a São Paulo.”
“Quis, como combinado, cumprir uma missão de integração no clube, gestão e influência de ideias em todos os departamentos adjacentes ao campo e investi menos dentro do jogo, isso traz um preço. Não só no resultado, mas nas relações, você entra nos departamentos e gera desconforto e incômodo. Tenho o respeito de todos, fui muito pragmático, talvez tenha sido um erro.”
Mudança de postura da equipe
“Quando a gente volta da quarentena, botei jogadores mais defensivos, como Carlos Augusto e Gabriel, jogamos só com um atacante que era o Jô, com Mateus Vital e Ramiro dos lados. Um time mais pragmático, que tentava ter mais posse, mas que criava chances. Erramos pouquíssimo e não fomos campeões por um detalhezinho, pois foi para os pênaltis. Seria como em 2018 e 2019, que fomos campeões paulistas e as campanhas no Brasileirão não foram boas.”
“Hoje, no Brasil, quem se expõe pouco está mais próximo de ganhar, muito pelo calendário, jogadores cansados. Dificilmente os jogadores atuam no seu ápice de forma, e tecnicamente o jogo se perde.”
Moedor de técnico
“Não creio que exista projeto no Brasil hoje, ainda mais como o calendário está construído. Quando voltamos da quarentena, fizemos nove jogos em 27 dias, depois tivemos uma semana cheia e fizemos uma sequência de seis ou sete jogos com intervalo de dois dias. Não existe projeto que dê certo com uma cobrança iminente por resultado imediato.”
“Por mais que o futebol viva do resultado, se você quer construir uma identidade há de se manter as ideias independente do resultado e da opinião pública, que é formada pelas redes sociais e muito compartilhada por repórteres e comentaristas.”
“O futebol virou um grande moedor de treinadores. Você entra no clube, quando ganha é muito valorizado, mais até do que devia, e quando perde é muito desvalorizado, muito mais do que devia. Tem que ter mais cuidado com isso, não vai ter projeto, a roda vai girar também com estrangeiros e quem perde é o futebol brasileiro.”
O Corinthians é um clube familiar
“Torço para os atletas, para as pessoas que lá estão. É um clube familiar. O trabalho foi feito com coração e empenho. O jogo foge ao nosso controle muitas vezes. Tenho certeza de que o Corinthians vai dar o máximo para manter uma regularidade. É um ano de transformação, no ano que vem será mais tranquilo.“
“A parede já foi quebrada na primeira mudança, romper alguns laços, gestão interna, é papel do treinador que dá cara a tapa para mostrar o caminho das mudanças. Mas num clube desta magnitude, tem proporção muito grande.”
Chance no Timão futuramente
“Há exemplos no Corinthians de treinadores que saíram, voltaram e conquistaram, como o Tite. Não estou comparando, o Tite é um mestre. Mas quando não dá certo, fica o desejo de tentar de novo, é natural.”