Sub-17: Técnico do Timãozinho cita Corinthians de 98/99 como sua principal referência
- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
No último dia 25 de novembro, terça-feira, o Corinthians anunciou oficialmente a contratação do técnico Guilherme Nascimento, de 36 anos, para o cargo de técnico da categoria Sub-17, que estava vago desde a saída de Raphael Laruccia em outubro. O profissional concedeu entrevista ao canal oficial do clube no YouTube e falou sobre sua infância e trajetória no futebol, citando que tentou ser jogador.
Guilherme chega ao Corinthians após iniciar sua carreira em escolinhas de futebol em Minas Gerais, onde nasceu, passando, posteriormente, por Betim, América-MG, Red Bull Bragantino e Athletico-PR: “Desde que era criança, a forma que conseguia me interagir com o mundo era através do futebol. Quando se mudava de escola, a forma de fazer amizade era através do futebol. Quando mudei de bairro, cheguei a um outro bairro, a forma que consegui sair para a rua e fazer amigos foi jogando futebol, então sempre foi a forma que eu consegui me encaixar no mundo.”

“Tentei jogar futebol de forma bem básica, era um goleiro, a nível bairro era bom, a nível da cidade já era mais ou menos, a nível competitivo percebi que não ia ter nível para chegar. Fiz a faculdade de educação física já com o pensamento muito voltado a ser treinador de futebol”, iniciou.
Ele prossegue citando suas experiências nos clubes nos quais passou, principalmente com as categorias Sub-15 e Sub-17. Recentemente, foi campeão estadual invicto com o Athletico-PR comandando a equipe Sub-17: “Fui tentando gerir a minha formação para essa busca. Depois de passar por algumas escolinhas, uma dessas tinha um vínculo com o Democrata de Sete Lagoas, um clube de Minas de futebol lá do Democrata. E, a partir dessa parceria, tive a oportunidade de trabalhar no meu primeiro Campeonato Mineiro. Foi no ano de 2000. 15, categoria Sub-15, na segunda divisão do campeonato, pelo Democracia Sete Lagoas. Trabalhei no Betim, em 2016, com o Sub-15, 2017 com o Sub-17, e aí depois surgiu a possibilidade de fazer essa mudança para o América.”
“No América, chego lá em 2018, ainda como auxiliar do Sub-17, à época. Depois de ser auxiliar do Sub-17, assumi o comando do Sub-14, de lá assumi o Sub-15. Tive um breve intervalo quando fui para o Red Bull Bragantino, depois retorno ao América e faço três anos no comando do Sub-17. No final de 2023, eu saio do clube, vou para o América Mineiro, assumo lá o Sub-15, depois o Athletico Paranaense, esse ano ainda, no finalzinho. E agora tive a honra e a oportunidade de vir para o Corinthians para seguir na categoria Sub-17 nesse projeto que acredito muito”, complementou.
Posteriormente, foi questionado sobre suas principais referências no futebol. Em sua resposta citou o Corinthians de 1998/1999, comandado naquele período por Vanderlei Luxemburgo e, logo depois, Oswaldo de Oliveira, que engatou um bicampeonato nacional e Mundial de Clubes entre o final do século XX e início do XXI. O jovem treinador entende que aquela equipe tinha o ‘jeito brasileiro de jogar’, algo que, segundo ele, foi sendo perdido ao longo dos últimos anos.
“Talvez a equipe que mais me impactou desde aquele momento é a equipe do Vanderlei Luxemburgo aqui no Corinthians de 98 e 99. A minha busca é a gente conseguir olhar para aquele passado que é recente e entender o que a gente deixou de fazer, o que a gente fazia naquele momento, o que potencializava a gente ter aquele perfil de jogo. Isso vai sobre a forma como a gente lida com cada individualidade, porque o que se tem de informação naquela época é que os treinadores, eles trabalhavam bastante de forma individualizada. É óbvio que os métodos mudaram, mas a gente não podia ter perdido o olhar para o individual. A gente não podia ter deixado de olhar para o individual e ter se apegado tanto à organização coletiva.”
“Essa essência é o que tento buscar a partir das equipes que monto, trazendo como referência aquelas equipes dos anos 90, onde o futebol brasileiro talvez teve o seu último ápice, teve o seu último marco de qualidade, de trazer alguns elementos do nosso jogo para a nossa prática. Então, é esse olhar para o indivíduo, é fazer com que os jogadores se relacionem com o jogo através daquilo que eles mais gostam, que é o contato com a bola. É um jogo que se aproxima. Então, talvez não faça parte tanto da cultura do brasileiro e do jogo brasileiro um cara que fica paradinho no seu setor esperando a bola chegar no seu pé. Acho que ele poder mover pelo campo, poder se aproximar da bola, se associar, tabelar, ter liberdade para fazer movimentos pelo campo, sem perder o objetivo do jogo, que é de andar para frente”, continuou.
O comandante ressaltou a importância de abordar de maneira mais atenciosa o aspecto individual dos atletas que acabam potencializando a equipe como um todo, retomando o futebol de rua e o modo brasileiro de jogar, conforme citado pelo mesmo anteriormente.
“É exatamente nisso que eu acredito: potencializar indivíduos. Com indivíduos fortes, criar neles boas relações, vou ter um coletivo forte e não ter um indivíduo que tem que se adequar ao coletivo que eu estou imaginando antes. O meu modo de olhar hoje é olhar para os caras, o que têm de potencialidade, qual a característica… É entregar ainda mais ferramentas do ponto de vista individual e aí, tendo individualidades fortes, a gente criar conexões e a partir daí, cria-se um coletivo forte. O coletivo fica potencializado por si só, ele fica muito mais autônomo, ele não precisa se apegar a um modelo de ações pré-determinadas por um treinador. A gente consegue entregar autonomia, criatividade, auto-adaptação dentro do próprio jogo.”
Guilherme Nascimento também respondeu sobre suas expectativas no comando dos Filhos do Terrão, que terão o Campeonato Paulista e Brasileiro para disputar na temporada de 2025. Além disso, projetou sobre o que a torcida corinthiana pode esperar da sua equipe em relação ao jeito de jogar.
“É uma fase que já está batida, tem muita gente que tem falado ultimamente: é devolver um pouquinho da situação e decisões para o jogador, entregar o jogo para o jogador. Acredito que eu tenha conseguido fazer isso na minha trajetória e espero conseguir fazer aqui também no Corinthians, que é uma casa, é um ambiente que vem de brasilidade. O Corinthians é o Brasil. O Corinthians tem isso muito forte. Então, a gente conseguir entregar um jogo, um jogo de rua, um jogo brasileiro aqui, usando a eu acho que é algo que vai fazer parte do DNA da torcida e a torcida vai se identificar.”
“Acho que a Fiel pode esperar do nosso trabalho o desenvolvimento de bons atletas, a gente fazer de tudo para entregar bons valores para a equipe profissional, acho que esse é o nosso maior objetivo. Bons valores do ponto de vista técnico, tático, humano. E pode esperar uma equipe em campo que tenha a identidade da torcida. Joga o jogo da forma que a torcida espera, com bastante agressividade, com bastante disposição, com bastante competitividade e com brasilidade no jogo, com ofensividade, com protagonismo e chegando nas principais competições em condição de ganhar. Acho que é isso que a torcida pode esperar do nosso trabalho.”
Logo depois, o técnico contou os bastidores de sua chegada ao Corinthians, exaltando todas as pessoas que participam do dia a dia do clube, além das questões estruturais que, segundo ele, acaba facilitando o trabalho cotidiano. Guilherme afirmou que ser contatado pelo Alvinegro é uma ‘convocação’.
“A estrutura é muito boa, é funcional, tudo que a gente precisa a gente tem aqui. Está tudo muito perto, os campos são espetaculares, os campos são muito bons, os profissionais são de alta qualidade também, fiquei muito bem impressionado com a capacidade de cada um aqui, que estão ainda, a gente ainda se conhecendo, mas quando cada um chegou perto e apresentou aquilo que faz e tenho procurado ainda conversar com cada um para entender dinâmica, rotina de trabalho. É um nível que vem me deixando bastante satisfeito. Então, mais uma vez, é uma honra fazer parte disso.”
“Não pensei muito para aceitar. Foi uma decisão das que tomei até agora no futebol, talvez a que tive que refletir menos. Procurei saber um pouquinho sobre as pessoas que estavam aqui, acreditei nisso. Acreditei no tamanho do clube, acho que não se recusa uma do Corinthians, não se recusa um chamado desse, é uma convocação”, explicou.
Por fim, Guilherme comentou sobre a importância do futebol na formação não só de jogadores, mas de cidadãos de bem, citando que a modalidade, muitas vezes, ajuda a explicar a sociedade como um todo: “E para o bem do futebol, do modo geral, já estava bem posto que o jogo não se resolve só na técnica e na tática, na parte física. O aspecto mental, a maioria dos profissionais já já trata desse tema com bastante interesse, porque sabem que isso, no final das contas, é algo que vai fazer total diferença. Mas não diria só o mental, acho que o comportamental, o social, de um modo geral, é importante da gente também estar muito próximo e estar atento a essa parte da construção do ser humano.”
“O máximo que a gente pode entregar da gente aqui é manter que esse sonho permaneça ativo e, caso esse sonho não consiga se permanecer ativo, que ele tenha crescimento como um ser humano que vai conseguir desempenhar outros papéis na vida porque ele vai ter bons valores. Então, da nossa parte, a gente vai tentar sempre entregar bons valores. É um jogo, mas o jogo é jogado por pessoas e as pessoas precisam estar bem. A gente vai sempre procurar estar próximo deles para ajudar nesse sentido.”
Guilherme Nascimento acrescenta: “O futebol ensina todo dia, é como se fosse uma parte que explica o todo. Ele é uma parte da sociedade, ele é um jogo, mas ele explica a sociedade como um todo. ‘Você gostaria de um dia ser treinador de futebol profissional?’ Sim, porque vou ter a oportunidade de conseguir mobilizar mais pessoas para o bem. Se as pessoas ficarem positivas de ver a nossa equipe jogando, de se sentir bem vendo a nossa equipe jogando, já consegui cativar uma pessoa. Se um atleta que jogou comigo, eu conseguir mobilizar a vida desse cara, criar algo positivo nessa vida desse cara, impactei mais uma pessoa. Então, qu, anto mais pessoas a gente conseguir impactar com a nossa prática, acho que isso é o melhor. Esse é o meu objetivo no futebol hoje.”
“Procuro fazer isso tanto no caráter individual, no dia a dia, mas também gerar um impacto positivo com aquilo que a gente apresenta no jogo. Aquilo tem que ser um entretenimento, tem que ser bom, aquilo tem que ser prazeroso, aquilo tem que ser divertido. Hoje coloco o meu propósito maior. Então, cada vez mais que eu tiver a capacidade de impactar positivamente as pessoas, é isso que eu vou buscar”, finalizou.
Confira o vídeo disponibilizado na íntegra pela Corinthians TV:
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