Presidente do Corinthians deixa de comparecer a depoimento no MP sobre contratação de empresa de segurança
Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, não compareceu ao depoimento que havia sido marcado para esta quinta-feira (6) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A oitiva faz parte da investigação que analisa possíveis irregularidades na contratação de empresas de segurança durante sua administração no clube.
A informação foi divulgada pelo Meu Timão. Conforme apurado pela reportagem, o mandatário comunicou ao promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pelo procedimento, que optará por apresentar seus esclarecimentos por escrito. Com isso, ele terá o prazo de dez dias, contados a partir desta quinta-feira, para encaminhar sua manifestação ao Ministério Público.

Esta não foi a primeira alteração no cronograma do depoimento. Inicialmente, a oitiva estava prevista para acontecer em junho, mas acabou sendo remarcada após a defesa de Osmar Stabile solicitar o adiamento, alegando “compromissos institucionais” na agenda do presidente corinthiano.
Desde o dia 9 de junho, Stabile passou a integrar oficialmente a lista de investigados no procedimento conduzido pelo MP-SP. Na ocasião, o órgão determinou que o dirigente apresentasse esclarecimentos formais sobre sua participação nos fatos apurados.
A investigação foi aberta em maio de 2026 e concentra-se, inicialmente, na contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa que prestou serviços de segurança ao Corinthians entre setembro e outubro de 2025.
Segundo a promotoria, a empresa atuava sem a autorização obrigatória da Polícia Federal para exercer atividades de segurança privada. O Ministério Público também afirma que não foi localizado um contrato formal firmado entre a companhia e o Corinthians, embora tenham sido emitidas três notas fiscais que, juntas, totalizam R$ 676,6 mil.
A Mega Assessoria Operacional foi registrada em nome de Fernando José da Silva, conhecido no Parque São Jorge como Nandão. Na época dos fatos, ele exercia a função de gerente operacional do clube social e atualmente ocupa o cargo de gerente do CT Dr. Joaquim Grava.
Durante depoimento ao Ministério Público, Fernando afirmou que abriu a empresa a pedido do então diretor administrativo Fábio Soares. Segundo ele, a medida tinha como finalidade viabilizar o pagamento dos profissionais contratados para atuar na segurança do Corinthians. A Promotoria, entretanto, investiga se essa estrutura foi utilizada para contornar os procedimentos formais exigidos nas contratações.
Com o avanço das apurações, o Ministério Público passou a analisar também a contratação da Bear Security, empresa responsável pela segurança pessoal de Osmar Stabile e de seus familiares desde julho de 2025.
Conforme revelado pelo Sports Insider e posteriormente publicado pela Central do Timão, a Bear Security também não tinha autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada. Ainda de acordo com a investigação, o Corinthians é o único cliente da empresa, que recebeu aproximadamente R$ 587 mil por meio da emissão de 12 notas fiscais.
Depoimentos divergem da versão apresentada pelo clube
Outros dirigentes e ex-integrantes da administração corinthiana já foram ouvidos pelo Ministério Público durante as investigações. Conforme consta em ofício assinado pelo promotor Cássio Conserino, dois fatores motivaram a inclusão de Osmar Stabile na condição de investigado.
O primeiro deles é o depoimento de Fábio Soares. O ex-diretor administrativo afirmou aos promotores que a decisão de contratar emergencialmente a empresa de segurança partiu do próprio presidente do Corinthians, versão diferente da apresentada anteriormente pelo clube.
O segundo elemento apontado pelo Ministério Público é a documentação que demonstra que Fernando José da Silva, proprietário da Mega Assessoria Operacional, também mantinha vínculo empregatício com o Corinthians durante o período em que a empresa prestava serviços ao clube.
As investigações identificaram ainda outra divergência. Em 23 de maio de 2026, Fernando assinou um ofício encaminhado à Polícia Militar solicitando escolta para a delegação corinthiana em compromisso pela Libertadores, identificando-se como gerente operacional do Corinthians. O documento contrasta com a versão apresentada pelo clube ao Ministério Público, segundo a qual ele teria atuado no clube apenas entre setembro e outubro de 2025.
Entenda a investigação
Conforme revelou o Sports Insider no início de março, a Mega Assessoria Operacional Ltda. foi aberta em 3 de julho de 2025 por Fernando José da Silva e prestou serviços de segurança no CT Dr. Joaquim Grava e no Parque São Jorge entre setembro e outubro daquele ano.
Segundo a apuração, a empresa atuou sem autorização da Polícia Federal e também sem um contrato formal firmado com o Corinthians. No período, foram emitidas três notas fiscais que totalizaram R$ 676,6 mil, com descrições que incluíam “assessoria de qualquer natureza”, “consultoria econômica” e “vigilância”.
Ao comentar o caso, Osmar Stabile afirmou que a contratação ocorreu em meio ao cenário criado após a invasão do andar da presidência do Corinthians, em 31 de maio de 2025, por apoiadores do então presidente Augusto Melo.
O dirigente declarou que pediu a Fernando José da Silva apenas para reorganizar a equipe de segurança do clube, negando ter solicitado a abertura da empresa ou ter conhecimento da iniciativa. Segundo Stabile, tratou-se de um erro administrativo. O presidente também argumentou que o ocupante do cargo necessita de uma estrutura de segurança e de profissionais de confiança para desempenhar suas funções.
Com a repercussão do caso, Stabile anunciou o afastamento do então diretor administrativo Fábio Soares enquanto as investigações estivessem em andamento. Poucos dias depois, porém, o dirigente apresentou sua renúncia ao cargo. Antes disso, conselheiros e associados do Corinthians haviam protocolado um pedido de afastamento cautelar contra ele.
O Ministério Público de São Paulo segue investigando o caso para apurar possíveis crimes, entre eles furto, falsidade ideológica e outras irregularidades relacionadas aos pagamentos efetuados, incluindo suspeitas de utilização de interposta pessoa.