Presidente do Conselho fala sobre intervenção no Corinthians, reforma do estatuto e voto do FT
- Por Daniel Keppler / Redação da Central do Timão
Neste sábado (22), o portal ge.globo publicou uma entrevista com o presidente do Conselho Deliberativo Romeu Tuma Júnior. Entre os assuntos discutidos, o dirigente criticou as ações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em torno de uma possível intervenção judicial no Corinthians, reforçou a necessidade de uma reforma estatutária no clube e demonstrou preocupação com a crise vivida pela instituição.
Tuma apontou como “equivocada” a ideia de decretar uma intervenção judicial no Corinthians: “Pessoas que não têm conhecimento acham que seria a grande solução, que vai chegar alguém lá, tirar todo mundo e tomar conta do clube. Um interventor judicial vai chegar e pagar as contas. Quem vai fazer fila na porta não serão os novos sócios, serão os novos credores. E a hora que acabar de pagar contas, se não sobrar nada, fecha o clube. Eu tenho muita preocupação”, disse.

O conselheiro afirmou que confia na Justiça, no MP e na Procuradoria-Geral, no sentido de que nenhuma decisão seria tomada de forma atropelada. Segundo Tuma, as autoridades não acolheriam um eventual pedido, pois o Corinthians não está na mesma situação do Bahia, que sofreu intervenção em 2013.
“O próprio Ministério Público vai ver que é uma situação muito diferente. Ela está muito mais sendo gerada por questões emocionais, vindas da internet. O promotor, equivocadamente, entrou nisso. Ele está fazendo um trabalho que gente considera sério no âmbito da atribuição dele, mas respondeu muito mais a apelos populares do que técnicos nesta questão.”
Ainda sobre o tema, o presidente do CD expressou preocupação com um dos itens levantados pelo MP, que afirmava que o impeachment do ex-presidente Augusto Melo não teria sido regular: “Isso é grave, porque responsabiliza os membros do Conselho de fatos que não são verdadeiros. O ponto 18 (diz que) teve ordem judicial para entregar atas (do impeachment). Não teve nenhuma ordem judicial para entregar atas. Eu estou respondendo dez processos na Justiça. Temos ganhado as ações e não teve nenhum descumprimento judicial. Confesso que fiquei surpreso. Não cometemos nenhum equívoco dentro do estatuto.”
Em relação à reforma do estatuto, Tuma afirmou que está buscando formas de gerar consenso no clube. “Eu tenho convicção de que o Conselho vai entender o seu papel histórico e relevante nesse momento de muita dificuldade do clube, não só financeira, mas de várias crises éticas e políticas. Agora é o momento de o Conselho mostrar para toda a sociedade corinthiana, é a hora de fazer as mudanças e propor caminhos novos para tentar efetivamente salvar o Corinthians”, disse.
Ele também explicou sua resposta ao Conselho de Orientação (CORI), que teceu duras críticas ao rito da reforma conduzido pelo dirigente: “Eu precisava institucionalmente responder aos apontamentos do Cori, que foi muito deselegante, talvez duro, em falar que tinha ilegalidades. Não tem ilegalidade. O Cori, como orientador, tinha o papel de falar: isso aqui não está certo. Aponta os locais, os termos do artigo e qual é a correção.”
Tuma reforçou a importância de se firmar um acordo, em nome de encontrar uma saída para a crise do Corinthians. E isso envolve, segundo ele, o direito de voto ao Fiel Torcedor: “A gente sempre falou que tinha que alargar esse colégio eleitoral para conseguir sair dessa rotina de candidatos e candidaturas e oxigenar a gestão do clube, não só nos modelos, mas também nos nomes de candidatos.”
Ele prosseguiu sobre o tema. “O Corinthians tem 35 milhões de pessoas corinthianas. Nós temos que reconhecer, com muita humildade, que a gente perdeu o momento histórico de botar as coisas todas nos seus devidos lugares, por equívocos, má-fé ou boa-fé ou erros que a própria vida proporciona. O Corinthians perdeu a condição de decidir tudo sozinho lá dentro do Parque São Jorge. Está na hora de compartilhar as decisões mais importantes, que talvez seja a eleição de presidente, com os torcedores, até para dividir a responsabilidade”, disse.
O dirigente também revelou sua maior preocupação em relação ao clube: “A maior preocupação é que eu sei que o Corinthians, unido, com as pessoas, a capacidade e a torcida que tem, é inabalável. Nós temos muita força para reagir e ser um dos maiores clubes do mundo. Temos uma marca que é uma das maiores do mundo e não pode estar na situação que está. É falta de união, é muito interesse pessoal sendo colocado acima dos interesses institucionais.”
Segundo ele, o Conselho Deliberativo é parte deste processo. “E eu me sinto parte disso, sou presidente do Conselho. Como eu posso ver tudo isso? Eu vou embora amanhã, o clube acaba e eu estava lá com poder de presidente do Conselho e não consegui fazer nada? O que está a meu alcance, eu tenho que fazer. Por isso a pressa, a urgência, a necessidade de votar um estatuto. Eu vou até o fim, nós temos que votar esse estatuto”, garantiu.
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