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Presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians fala sobre adiamento na votação de reforma do estatuto

25/11/2025 Por Fabio Luigi
  • Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

Na noite desta segunda-feira (24), o presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, concedeu entrevista à imprensa no Parque São Jorge após o adiamento do processo de votação da reforma estatutária do clube. Na reunião, os conselheiros não chegaram a deliberar sobre o anteprojeto – divulgado no mês passado – e as propostas de emendas apresentadas desde então.

Durante a entrevista Romeu Tuma Júnior detalhou as datas das audiências públicas para discutir os tópicos do anteprojeto, o cronograma até a votação da reforma no Conselho Deliberativo e na Assembleia Geral, além de temas como a participação do Fiel Torcedor nas decisões do clube e o adiamento do processo da reforma estatutária.

Foto: Reprodução/Corinthians TV

Confira abaixo as respostas do presidente do Conselho Deliberativo na coletiva:

Processo para que o Fiel Torcedor participe nos próximos processos eleitorais

“Os fiéis torcedores ou sócios de futebol terão 90 dias para se filiar e, ainda que excepcionalmente, na próxima eleição que eles forem votar, seja ela em 26 ou seja em 30, eles vão contribuir menos que quatro anos. E vai ser válido, excepcionalmente, porque quem está retardando a votação não é o conselho, não é o presidente do conselho, foi uma deliberação de plenário. Então, a expectativa dessa proposta já é antiga. Se for aprovada pelo conselho, eles vão contribuir três anos e oito meses, três anos e quatro meses. Não importa, excepcionalmente, quem se inscrever nos 90 dias subsequentes à aprovação do estatuto vai votar com menos de quatro anos. E o conselho aprovou essa proposta que eu fiz para adiar. Tem que aprovar isso. Excepcionalmente, na primeira votação do fiel torcedor ou do sócio de futebol, não vai ser dos quatro anos, desde que aqueles que se inscrevam nos primeiros 90 dias, quando abrir esse cadastro novo, foi aprovado também a terceira proposta que eu fiz.”

“Nós vamos manter o conselho, a reunião do conselho aberta, dada a relevância da matéria que é uma previsão do estatuto do artigo 85. Dada a relevância da matéria, nós não precisaremos fazer edital de convocação para nenhuma audiência pública, já estão todas com as datas mudadas conforme o acordo que foi feito de agenda.”

Trabalho da Comissão de Reforma Estatutária e do Conselho Deliberativo

“Foi uma noite importante, histórica. A gente efetivamente deu a um denominador comum, depois de muito sacrifício, muito trabalho do Conselho, especificamente da Comissão de Reforma Estatutária e depois de uma agenda de muita deliberação. Quando assumi o Conselho, dia 1º de fevereiro de 2024, até antes disso, quando a gente estava em campanha interna aqui para presidir o Conselho, eu falei que o grande legado da nossa gestão era fazer a reforma do Estatuto do Corinthians, porque há mais de 15 anos que não tem uma reforma, e que nas últimas três gestões a gente tinha tido comissão, tinha tido reconhecimento que precisava ter reforma, tinha comissão nomeada, propostas sendo feitas, mas que a gente nunca tinha conseguido chegar no fim e fazer uma efetiva reforma.”

“Nessa aprovação, por unanimidade, foi reconhecida a necessidade de reformar o Estatuto. Eu nomeei a comissão naquela mesma data, dia 1º de fevereiro de 2024. Nós criamos uma comissão inédita no Corinthians, que foi a Comissão de Mulheres, e já logo, alguns dias depois, nós editamos o Regimento da Reforma do Estatuto. E também, de maneira inédita, as outras duas comissões, das duas gestões passadas, não tinham conseguido fazer a votação das propostas de reforma e as comissões não tinham sido encerradas. E aí, dentro desse regimento, autorizei a comissão a usar também todas as propostas anteriores que estavam finalizadas nas comissões, para poder usar propostas de antigos conselheiros que não tinham sido reeleitos, e também sócios que tinham proposto para que esse trabalho tivesse uma riqueza de maiores propostas e proporcionamos audiências públicas.”

Questionamentos e críticas sobre o processo de condução do processo de reforma do estatuto

“Só estou aqui reafirmando isso para que fique claro para quem nos acompanha agora e para que seja revisado o assunto. Porque a gente acompanha o trabalho de vocês (imprensa), a gente lê, ouve e assiste algumas narrativas inverídicas, então é sempre bom deixar claro. Tem gente que chamava de ‘estatuma’, não é meu estatuto, é o estatuto do Conselho Deliberativo do Corinthians, até porque as pessoas não acompanham o dia a dia. Eu não quero responsabilizar vocês por falta de informação e informação equivocada que chega aos nossos corinthianos, Brasil afora e mundo afora.”

“Eu, obviamente, até porque eu sou um cara vivido, experiente, eu preciso atribuir essas informações equivocadas à má-fé daqueles que publicam. O cara distorce, publica errado, se tenta colocar no lugar da mídia correta, séria, distorcer a ação. Muitos daqueles que moram até fora fazem o papel de imprensa. Eu acho que a gente tem que corrigir através de vocês e levar a informação correta. Esse trabalho foi feito há um tempo atrás. A gente fez uma coletiva, depois outra, e eu falei que temos um cronograma final. Foi divulgado e a gente cumpriu.”

Justificativas para o adiamento da reunião após divergências internas

“No começo da reunião, nós tivemos cinco requerimentos: O da comissão de reforma, pedindo para a reunião ficasse aberta, não fosse encerrada e fosse construída uma agenda para que fosse votado ainda esse mês no conselho deliberativo, mas com a marcação de audiências públicas, onde pudessem participar conselheiros, associados, torcedores e terceiros interessados, e que essas audiências fossem marcadas a partir de amanhã, a partir de amanhã, dia 25.”

“Nós tivemos outros requerimentos, assinados por alguns conselheiros, que queriam votar apenas três temas na data de hoje, encerrar a discussão, e marcar uma assembleia geral para votar só esses três temas. Alguns outros grupos de conselheiros também propuseram que se alargasse o debate, mas o que melhor contemplava tudo isso foi a proposta da comissão que eu tenho na mesa, que era assim, manter a reunião aberta, construir uma agenda de audiência pública e votar até o final do mês. Tudo foi aprovado por unanimidade até o momento, e depois eu anunciei as datas das audiências pelos temas.”

Suspensão e Readequação do cronograma da reforma e datas das audiências públicas

“E como cabe ao presidente do conselho, por conta do artigo 15 do Regimento Interno do Conselho Deliberativo, é uma atribuição do presidente convocar as reuniões, deliberar sobre a pauta, dirigir, transferir, prorrogar, interromper, suspender, enfim, reorganizar a pauta. Eu já preparei as audiências e, quando ela foi lida com as datas marcadas, aí o plenário resolveu não aprovar por unanimidade. Decidi suspender a reunião e construir um calendário junto com os conselheiros, mas a minha proposta era a seguinte: amanhã, vamos debater do artigo 1 ao artigo 3º, do artigo 4º ao 40, exceto o artigo 21, que fala da oposição ao torcedor, e do artigo 22 ao 40, exceto o 21. Então, nós íamos falar amanhã sobre denominação, sede, duração, fins, patrimônio, quadro social e poderes sociais. Primeiro, audiência pública. Depois de amanhã, só o artigo 21. Ou seja, nós teríamos audiência pública toda segunda, terça e quarta, exceto o dia 15, que já tem uma reunião agendada no conselho para deliberar.”

Ele prosseguiu: “De acordo com o Estatuto e com a legislação, você tem que votar na primeira semana de dezembro, primeira quinzena de dezembro, o orçamento do ano que vem e dias que tivesse jogo do Corinthians. Então, nós teríamos segunda, terças e quartas, até o dia 18 de dezembro, audiência pública cada dia com tema, com uma regra de participação, um e-mail para descrição, durando quatro horas cada audiência pública. E no fim dela, construir o tema, construir a emenda, que iria para o texto final. Se não houvesse acordo, nós já tínhamos as emendas da comissão. E nós votaríamos ainda esse ano, no plenário, dia 22 de dezembro, depois da final da Copa do Brasil. Aí o conselho não aceitou; a maioria não aceitou. Apesar de ser prerrogativa minha, dos tais calendários, eu entendi que assim não adiantava a gente impor alguma coisa; a gente estava buscando consenso geral. Era mais importante a gente entender. Nós suspendemos a reunião e chegamos a um consenso de calendário, desde que o conselho deliberasse três temas que, para mim, seriam imprescindíveis e que eu não voltaria atrás.”

“Tudo que fosse votado nesta reforma valeria a partir da próxima eleição. O conselho aprovou por unanimidade; vai valer. Ainda que a decisão do plenário do conselho fosse no ano que vem, e a decisão da Assembleia também por consequência, nós teríamos uma, no projeto, nós teríamos uma disposição transitória. Por exemplo, questão do Fiel Torcedor se for aprovada, que vai votar na próxima eleição, ela vale na próxima eleição. Se for aprovada, eles votam a partir da eleição de 2030, que são quatro anos de inscrição no novo cadastro, que vai ser o do sócio de futebol. Excepcionalmente, a hora que aprovar na Assembleia Geral, o clube tem que abrir o cadastro.”

Propostas para serem incorporadas no anteprojeto recebidas por Coletivos, Torcedores, Sócios e Conselheiros

“A respeito da reunião de hoje, que estava marcada a votação no Conselho, tudo foi deliberado de forma unânime. A comissão, depois de recolher 13 propostas oficiais enviadas por conselheiros, associados, e recolher mais de 30 enviadas por coletivos, torcedores, associados comuns, revisitou todo o projeto, anteprojeto construído durante todo o mais de um ano. E depois, em uma audiência que nós tivemos com vocês, uma coletiva, quando nós anunciamos o anteprojeto e abrimos um e-mail para participação de quem tivesse dúvida, foram enviadas mais de outras 40 propostas de ajuste no texto e fundição de propostas.”

“Até o sábado, dia 22, nós tivemos mais de 50 propostas de redação e de emendas de vários grupos coletivos, de várias alas, enfim, de gente até fora do Brasil, querendo participar e contribuindo de uma forma efetiva. E tudo isso foi compilado tempos a tempos, distribuído para os conselheiros, e a comissão chegou hoje com o requerimento pedindo para que a gente abrisse o debate para audiências públicas ainda antes de votar.”

Calendário definido e implicação eleitoral

“Os temas serão praticamente os mesmos e a votação no conselho vai ser em fevereiro de 2026, e a votação na Assembleia Geral vai ser em março de 2026. Já aprovado pelo plenário, não vai ter mudança. O que pode eventualmente mudar, como nós não temos o calendário — não tinha na hora — o calendário do Campeonato Paulista. Se tiver algum jogo do Corinthians entre 21 de janeiro e 4 de fevereiro, a gente pode mudar de um dia para o outro aquela audiência pública. Mas a votação do Conselho Deliberativo no projeto vai ser logo depois do carnaval e eu vou marcar com bastante antecedência. Todos vão saber e não muda mais. A votação na Assembleia Geral vai ser em março, dia 26, e vai valer tudo o que for mudado para a eleição do ano que vem.”

Após a suspensão da reunião, os conselheiros definiram o calendário das audiências públicas, que poderão contar com a participação de especialistas e demais interessados. Os encontros ocorrerão nos dias 1º, 4, 8 e 16 de dezembro, ainda em 2025, com retomada em 21, 26 e 29 de janeiro, além de 2 e 4 de fevereiro de 2026.

Concluído o ciclo de debates temáticos, a votação final do anteprojeto pelo Conselho está prevista para fevereiro de 2026. Após essa etapa, o texto será encaminhado para apreciação em assembleia geral dos associados. Inicialmente marcada para 20 de dezembro, a AGE foi cancelada e remarcada para março de 2026.

Nesse contexto, a reforma poderá incluir uma disposição transitória que assegure o direito de voto do Fiel Torcedor no próximo pleito, uma vez que a atualização estatutária precisaria ser aprovada ainda em 2025 para produzir efeitos nas eleições de 2026.

O voto do FT, aliás, foi um dos pontos de maior mobilização política ao longo do processo. A própria Comissão de Reforma apresentou uma emenda propondo que membros do programa possam votar mediante o pagamento de 30% do valor da mensalidade social, sem necessidade de aquisição de título patrimonial.

Avanços e maior tempo para se debater o anteprojeto de reforma estatutária impactos?

“Ou seja, no fim das contas, não vai mudar nada. Apenas que nós vamos debater mais e todo mundo vai ter a oportunidade de falar aqui. Pessoal que quiser falar vai se inscrever, vai ter um e-mail, vai vir debater. A torcida vai vir debater o tema porque nós já temos quatro propostas de mudança no anteprojeto com relação ao Fiel Torcedor. A outra proposta é que teria que pagar o título sem frequentar o clube. Então, já estão fundidas as duas e paga 50% da mensalidade do sócio. A outra proposta fala em pagar 30%. Já estão fundidas as duas e já tem uma proposta que fala que mantém os quatro anos, mantém o fiel torcedor de imprensa, mantém a de imprensa no novo cadastro, mas baixa para 30%. E a torcida já tem uma proposta que é votar no ano que vem. Então, isso vai ser debatido. Aquela proposta aqui de sair do plenário vai para o projeto e vota.”

“De qualquer jeito, eu já vi um grande avanço. Eu já senti que no conselho passa o Fiel Torcedor. Já ficou muito claro hoje; vai passar. E já é um grande avanço que ninguém tinha essa expectativa. A gente agora precisa trabalhar, obviamente, na Assembleia Geral de Sócios. O que também é um grande avanço que eu senti hoje é importante também a gente ter construído essa agenda. A gente tem muito mais chance de tirar do conselho um projeto mais consensual. Acho que talvez sobrem poucos artigos para debate no conselho, que talvez tenha que votar duas ou três propostas. Eu sinto que isso está muito mais apegado hoje à questão da governança, à questão de alguns tabus internos. E que eu acho que chegou a hora de a gente deliberar mesmo.”

“A questão da Comissão de Ética, que hoje vai ter uma mudança muito radical, que você traz auditores externos, que a mesma comissão de ética serve para todo mundo: para sócio, conselheiro e dirigente. Acho que é um grande avanço. Para quem cobra, que não tem punição, eu acho que é um grande avanço. Isso pode ser já um debate, mas eu acho que o que sair do conselho, no fim da votação, chega na Assembleia Geral mais consensuado. E quando o sócio, obviamente, vê que uma proposta sai do conselho mais consensuada, ela também chega na Assembleia Geral com muito mais chance de votação favorável.”

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