‘Patrão da defesa’ – Há 60 anos, o ‘Professor’ Roberto Belangero fazia seu último jogo pelo Corinthians
- Por Nágela Gaia e Marcelino Rocha/Redação Central do Timão
Nesta sexta-feira (11), faz 60 anos que Roberto Belangero fez seu último jogo com o manto Alvinegro. Em 13 anos disputou 452 partidas e é o 13º jogador que mais vezes vestiu a camisa do Corinthians. Seu último jogo aconteceu pelo Campeonato Paulista de 1960, contra a Ponte Preta, no Estádio Moisés Lucarelli. Na ocasião, o Timão venceu por 1×0, com gol de Joaquinzinho.
Vindo do ‘Maria Zélia’ junto com Luizinho, subiu dos Aspirantes do Corinthians em 1947 e se firmou entre os titulares após dois anos.
“Centromédio de técnica refinada, era o patrão da defesa” – Celso Kinjô;
“Um dos legendários heróis do IV Centenário, dono de técnica apurada” – Celso Unzelte;
“Incansável, inesgotável, inexaurível” – Sílvio Lancellotti;
“Classe, controle de bola, distribuição e visão de jogo” – Toquinho

No timaço do IV Centenário, entre o Gerente Cláudio, o Pequeno Polegar Luizinho, o Cabecinha de Ouro Baltazar e o Sangue Azul Idário, havia apenas um legítimo “professor” em campo: Roberto Belangero.
Sua técnica, sua calma no passe e seu domínio preciso resultaram, além do perfeito apelido de “Professor”, em sete títulos com a camisa corinthiana: três Campeonatos Paulistas, três Rio-São Paulo e a Pequena Taça do Mundo de 1953.
Clássico, Roberto jogava com a cabeça erguida e a elegância que o caracterizavam também fora de campo. Estudioso e poliglota, era o intérprete da delegação corinthiana e da Seleção Brasileira nas diversas excursões feitas pela Europa.
Belangero chegou em um clube sem títulos por mais de seis anos (desde 1941) e deixou uma galeria de cheia de troféus, entre eles um dos títulos mais importante da história do Alvinegro: o IV Centenário de 1954.
Roberto Belangero é símbolo de um Corinthians vencedor, corajoso e elitista. Foi sinônimo de um lado do futebol que se recusa a ser reduzido ao debate sobre o nada na hora do almoço, ao patofalar de jornalistas e ao brado simplório de “Raça!”. Roberto Belangero foi sinônimo de futebol-arte no Corinthians, uma face alvinegra que nunca pode ser esquecida por ser ela parte crucial da identidade corinthiana tanto quanto a vontade e o sangue de Idário e Goiano.
Sua história no Corinthians não resume ao futebol jogado. Quando voltou ao Timão já como técnico nos anos 60, bancou Flávio Minuano, um dos maiores artilheiros da história do clube, e foi o professor literal de outro Roberto, o garoto do Parque: Rivellino, maior ídolo do Timão.
Como atleta, além de 452 jogos disputados, Roberto anotou 22 gols e conquistou três paulistas (1951, 1952 e 1954), três Torneios Rio São Paulo (1950, 1953 e 1954) e a Pequena Taça do Mundo em 1953. Em 1964, era auxiliar de Paulo Amaral e assumiu o cargo de treinador após Paulo deixar o clube e ir para a Itália. No comando da equipe, permaneceu por apenas 24 jogos.
O ídolo corinthiano nasceu em 28 de junho de 1928 e faleceu no dia 30 de outubro de 1996, aos 68 anos.
- Pesquisas: Almanaque do Timão e Corinthians Cultural