Vampeta considera reação de Gérson excessiva e não vê racismo: ‘Esquentadinho’
- Por Nágela Gaia / Redação da Central do Timão
Na noite deste domingo (20), o ex-volante Vampeta minimizou a reação de Gérson, Flamengo, que acusou Ramírez, do Bahia, de injúria racial, durante partida entre as equipes. Para o ex-jogador, Gérson estava muito esquentadinho e sua reação não é para tanto.
“Este final de semana eu estava em Sorocaba em um evento com o Amaral [também ex-jogador], a gente estava no mesmo carro e ele falava: ‘Vampeta, está muito chato este negócio na bola de qualquer coisinha [ser racismo]… pô, a gente se chama de negão, chama de macaco…’. Eu estava vendo o jogo e o Gerson estava muito esquentadinho com tudo. Joga muito, merece uma oportunidade na seleção, mas eu não vi [o caso] para tanta… de negro, não sei o que… no calor do jogo…”, disse Vampeta, no programa “Mesa Redonda”, da TV Gazeta.
“Eu não estou defendendo essas coisas não, pelo amor de Deus. Mas no futebol, por exemplo, eu jogo na Vila Maria. Lá tem de tudo, coreano, boliviano… ‘Toca a bola, Bolívia’. ‘Ô alemão, toca a bola’. ‘Ô, chinês, e aí?’. Então se todo mundo for para a televisão…”, prosseguiu Vampeta.
O jornalista Benjamin Back, convidado do programa, tentou explicar a diferença entre os dois tipos de tratamento.
“É diferente quando você tem uma liberdade com a pessoa. Eu sou judeu, e quando amigos brincam com alguma coisa é lógico que você não vai melindrar. Você falar negão para o amigo, [ele] sabe que não tem nada. Agora você virar para um cara no meio do jogo e falar: ‘ô, seu macaco’. Tá maluco, cara?”
“Mas você viu que o Gerson não fala isso”, concluiu Vampeta, tecendo comparações e fazendo brincadeiras citando exemplos de assédio. Veja os vídeos:
O volante Gerson, do Flamengo, acusou o meio-campista colombiano Ramirez, da Bahia, de lesão racial, em jogo neste domingo, no Maracanã, pela 26ª rodada do Brasileirão. Gérson acabou discutindo com o técnico do Bahia, Mano Menezes, por causa do episódio. O fato ocorreu aos 7 minutos do 2º tempo. Em entrevista após a partida, Gerson disse que ouviu “Cala a boca, negro”, do meio-campista adversário:
“Nunca vim na imprensa falar nada porque nunca sofri preconceito, nem fui vítima. Ramirez, na hora do segundo gol eu acho que o Bruno fingiu que ia chutar e reclamou para o Bruno. Fui falar com ele e ele me disse bem: “Cale a boca, negro”. Eu não aceito isso.”

Na confusão, o meio-campista rubro-negro pediu respeito ao técnico Mano Menezes, do Bahia:
”O Ramirez, quando tomamos acho que o segundo gol, o Bruno fingiu que ia chutar a bola e ele reclamou com o Bruno. Eu fui falar com ele e ele falou bem assim para mim: “Cala a boca, negro”. Eu nunca falei nada disso, porque nunca sofri. Mas isso aí eu não aceito.”
Em seguida, o atleta do Flamengo afirmou ter discutido com o treinador Mano Menezes no momento da confusão.
”O Mano até falou “Ah, agora você é vítima, não é? O Daniel Alves te atropelou e você não falou nada”. Claro, porque teve respeito entre eu e ele. Eu nunca falei de treinador, mas o Mano tem que saber respeitar. Estou vindo falar aqui por mim e por todos os negros do Brasil.”
Logo após o ocorrido, com o ‘vazamento’ dos áudios em que Mano Menezes insinuou que Gérson estava fazendo ‘malandragem’, a equipe do Bahia informou que o treinador não comandará mais o clube, e que se posicionarão, após apuração do caso, a respeito do atleta Índio Ramírez.
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