MP-SP arquiva inquérito sobre supostas ameaças contra presidente do Conselho do Corinthians
- Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
O inquérito que investigava possíveis ameaças, perseguições, incitação ao crime e delitos contra a honra envolvendo Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Meu Timão.
A decisão foi formalizada nesta sexta-feira, 28 de agosto, pelo promotor Marcio Takeshi Nakada, integrante da 3ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital. A apuração teve origem em relatos apresentados por Tuma, que afirmou ter sido alvo de intimidações e ameaças em redes sociais durante o período de intensa disputa política que marcou o processo de impeachment do então presidente Augusto Melo.

De acordo com o dirigente, os ataques não teriam partido de maneira isolada. Ele apontou uma possível atuação coordenada entre diferentes perfis e afirmou que familiares e outros membros do Conselho Deliberativo também teriam sido atingidos pelas ações.
Durante o andamento do caso, pessoas que atuam ou possuem influência nas redes sociais foram chamadas para prestar esclarecimentos. Parte dos investigados negou qualquer envolvimento com ameaças ou eventual articulação coletiva, enquanto outros sustentaram que suas manifestações tinham como objetivo apenas fazer críticas à condução política e administrativa do Corinthians.
O procedimento já havia sido encerrado anteriormente por ausência de justa causa. Tuma, contudo, contestou a decisão e pediu uma nova análise, além de solicitar outras medidas investigativas. Entre os pedidos estavam a quebra de sigilos, a obtenção de informações junto a plataformas digitais e novas diligências relacionadas à possibilidade de informações protegidas da investigação terem sido divulgadas.
Na manifestação mais recente, o Ministério Público decidiu não atender aos novos pedidos feitos pelo presidente do Conselho Deliberativo. Segundo o órgão, a investigação não produziu evidências concretas capazes de relacionar os perfis apurados a um eventual vazamento de dados sigilosos.
O promotor também avaliou que não havia justificativa suficiente para autorizar novas quebras de sigilos telefônico, telemático, fiscal ou bancário. Da mesma forma, a apuração não teria reunido provas capazes de sustentar a existência de associação criminosa ou organização criminosa.
A decisão ainda destacou o ambiente de forte divisão política vivido pelo Corinthians durante o período investigado. O cenário era marcado pelo confronto entre grupos favoráveis e contrários ao impeachment de Augusto Melo.
Na avaliação do Ministério Público, não ficou comprovado que os diferentes envolvidos mantivessem uma relação permanente e estruturada com a finalidade específica de cometer crimes contra Tuma. Dessa forma, não foram identificados elementos suficientes para justificar a apresentação de uma denúncia criminal.
Com isso, o promotor Marcio Takeshi Nakada determinou o arquivamento do inquérito, sem prejuízo do artigo 18 do Código de Processo Penal.
Entenda o caso
A investigação começou em 2024, depois que Romeu Tuma Júnior procurou as autoridades para registrar um boletim de ocorrência sobre ameaças, intimidações e ataques que dizia estar recebendo por meio das redes sociais.
Segundo o relato apresentado na época, os episódios teriam surgido após decisões e discussões no Conselho Deliberativo relacionadas a investigações internas e ao processo de impeachment de Augusto Melo. O dirigente ocupava a presidência do Corinthians naquele momento e acabou afastado do cargo meses depois.
Tuma também afirmou que existiria uma espécie de “milícia digital” formada por perfis e influenciadores das redes sociais. Na versão apresentada pelo dirigente, esse grupo estaria articulado para promover ataques contra ele e outros integrantes do Conselho Deliberativo.
Além dos episódios envolvendo as redes sociais, Tuma relatou ter recebido uma ligação de caráter ameaçador. Conforme seu depoimento, o autor da chamada teria se apresentado como “corinthiano” e dito fazer parte do Primeiro Comando da Capital (PCC).