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Hérnia inguinal: entenda a condição que afastou três jogadores do Corinthians em três meses

14/08/2025
  • Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

Em pouco mais de três meses, três jogadores do Corinthians foram diagnosticados com hérnia inguinal. O caso mais recente é o do atacante Yuri Alberto, que foi submetido a cirurgia de emergência na quarta-feira, 13, e se tornou mais uma baixa para o técnico Dorival Júnior.

O camisa 9 sentiu dores abdominais mais intensas na última terça-feira, durante o treino regenerativo após a partida contra o Juventude pelo Campeonato Brasileiro. Exames de imagem indicaram a necessidade de cirurgia, realizada com sucesso pelo médico gastroenterologista Walter Ayres. O clube informou que Yuri permanece em recuperação no hospital, com alta prevista para esta quinta-feira, 14, mas não divulgou um prazo estimado para o retorno aos gramados.

Antes de Yuri Alberto, o zagueiro Gustavo Henrique passou pelo mesmo procedimento no início de maio, iniciou a transição física no começo de junho e antecipou o retorno aos treinos no fim do mês, ficando à disposição em 13 de julho, na retomada do Brasileirão após a pausa para a Copa do Mundo de Clubes. Já o lateral-esquerdo Hugo realizou a cirurgia em 18 de julho e, quase um mês depois, ainda não retornou aos treinamentos.

A ocorrência de três casos semelhantes em um intervalo tão curto levantou questionamentos sobre possíveis fatores de risco e manejo de carga física no elenco. Para compreender melhor os fatores que contribuem para essa condição, a Central do Timão conversou com a Dra. Flávia Magalhães, médica do esporte com mais de 20 anos de experiência e passagens por clubes e confederações como Atlético-MG, América-MG, CBF e CONMEBOL.

De acordo com a especialista, a condição está frequentemente associada a microlesões e sobrecarga crônica da musculatura abdominal e dos tendões adutores. “Acelerações, desacelerações bruscas e mudanças rápidas de direção são gestos comuns no futebol que aumentam a pressão intra-abdominal e exigem grande estabilidade do core, favorecendo o surgimento da condição”, explica.

A sobrecarga física e treinos intensos, segundo a especialista, são fatores determinantes para o desenvolvimento da hérnia inguinal, pois geram desgaste progressivo das estruturas da parede abdominal. “Movimentos explosivos repetidos, associados à exigência constante de força e estabilidade, aumentam a tensão nessa região e favorecem a ocorrência da lesão. As colisões podem agravar o quadro existente, mas raramente são a causa primária”, detalha.

Coincidência ou padrão de treinamento?

Em relação aos casos consecutivos de hérnia inguinal entre três atletas do mesmo elenco em um curto período de tempo, Dra. Flávia ressalta que, apesar de relativamente comum no futebol, a repetição pode ter múltiplos fatores de influência. 

Pode ser apenas coincidência estatística. No entanto, não se pode descartar que características individuais dos atletas, o perfil tático da equipe ou o manejo da carga física também exerçam influência. Para estabelecer qualquer relação concreta, seria necessária uma análise detalhada de cada caso e do contexto geral de treinos e jogos”, pondera.

Prevenção e protocolos de recuperação

A médica reforça que a prevenção envolve trabalho multidisciplinar, fortalecimento do core e reequilíbrio biomecânico, aliado ao monitoramento da carga de treinos e à fisioterapia preventiva. “É fundamental monitorar a carga de treinos e jogos, evitando sobrecarga crônica na região inguinal. A fisioterapia preventiva, associada ao trabalho de preparação física e à manutenção da mobilidade articular, ajuda a reduzir o risco de lesões.”

A recuperação pós-cirúrgica segue um protocolo gradual. Nos primeiros dias, recomenda-se repouso relativo, uso de analgesia e cuidados locais para proteger a ferida e reduzir a pressão intra-abdominal. Durante a primeira e segunda semana, o atleta retoma progressivamente atividades leves do dia a dia.

A partir da terceira semana, inicia-se a fisioterapia ativa, focada no fortalecimento do core, correção biomecânica e aumento da mobilidade. Entre a quarta e sexta semana, são introduzidos movimentos e gestos específicos do esporte, sempre monitorando dor, estabilidade e função. Em média, o retorno ao futebol competitivo ocorre entre quatro e oito semanas, dependendo da técnica cirúrgica, da resposta individual e da ausência de complicações.

Esta não é a primeira vez que Yuri Alberto enfrenta problemas físicos na temporada. Em maio, ele sofreu uma fratura no processo transverso de uma vértebra lombar, permanecendo afastado até julho. Antes de ser submetido à cirurgia para tratar a hérnia inguinal, o atacante disputou cinco partidas, sendo três pelo Brasileirão e duas pela Copa do Brasil.

Para o jogo contra o Bahia, no sábado, 16, pela 20ª rodada do Brasileirão, o técnico Dorival Júnior terá desfalques importantes. Além de Cacá, Fabrizio Angileri e Ángel Romero, suspensos, o treinador não poderá contar com Yuri Alberto, André Carrillo, que passou por cirurgia no tornozelo esquerdo, e Memphis Depay, com lesão de grau 2 no músculo posterior da coxa direita. O trio lesionado também ficará fora dos jogos das quartas de final da Copa do Brasil, marcados para 27 de agosto e 11 de setembro.

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