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Fernando Diniz aponta arbitragem como decisiva em eliminação e explica estratégia do Corinthians contra o Internacional

07/08/2026 Por Mirella Ramos
Fernando Diniz aponta arbitragem como decisiva em eliminação e explica estratégia do Corinthians contra o Internacional
  • Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

 

O Corinthians venceu o Internacional por 2 x 1 na noite desta quinta-feira (6), na Neo Química Arena, mas encerrou sua participação na Copa do Brasil de 2026. Derrotado por 2 x 0 no primeiro encontro, o Timão não conseguiu reverter a vantagem construída pelos gaúchos e foi eliminado nas oitavas de final. Gustavo Henrique e Pedro Raul marcaram os gols alvinegros na partida de volta.

Após o confronto, Fernando Diniz concedeu entrevista coletiva e analisou diferentes aspectos da eliminação. O treinador explicou a estratégia adotada diante da postura defensiva do Internacional, falou sobre a proximidade do retorno de Memphis, abordou os problemas administrativos e estruturais enfrentados pelo clube e fez críticas à arbitragem nos dois jogos da eliminatória.

Fotos: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Diniz explica insistência em cruzamentos

Precisando buscar o resultado, o Corinthians encontrou um Internacional concentrado no campo defensivo durante grande parte do duelo. Diniz afirmou que esse cenário já era esperado pela comissão técnica e explicou que a utilização dos lados do campo foi planejada justamente pela quantidade de jogadores adversários ocupando a região central.

“Esse jogo pedia isso. Eu não imaginava que o Inter fosse jogar do jeito que ele jogou lá em Porto Alegre, ele não pressionou a gente praticamente em momento nenhum, e aqui a gente já imaginava que o jogo seria esse, ter uma linha de cinco, mais três volantes, e mais os dois atacantes ajudando na marcação. Então, com dez caras o tempo todo atrás da linha da bola, intermediária para trás, e com três zagueiros e três volantes, o meio fica quase sendo que o Carbonero é um cara que eles deixaram o Carbonero e o Bernabei, mais o Alan Patrick para articular, para tentar contra-ataque.

Então, se o meio é muito fechado, se você tentar jogar por dentro, além de ser difícil você furar por dentro, você tem mais chance de tomar contra-ataque. Então, o jogo iria ter muita terminação pelo lado, acho que a gente soube usar bem isso. Estranhamente, no treino e hoje também, teve muito cruzamento que a bola não subiu, uma coisa que não acontecia, não sei se era a bola, se era o campo, que a bola não estava subindo, mas era a maneira que a gente planejou, a chance maior de a gente fazer gol era justamente o jeito que a gente fez.

A gente fez os dois gols, um cruzamento, a bola na trave do Matheuzinho foi o rebote do cruzamento, a bola que o Bidon quase fez o gol também foi uma bola de cruzamento que o Bidon pôs para trás no primeiro tempo, teve a bola do Pedro Raul, um pouquinho antes do gol que ele fez, então era um jogo que sobra quando você joga com times, joga dessa forma, muito retrancado, com o meio muito fechado, é a bola terminar pelo lado, não que você vai terminar todas pelo lado, mas era normal disso acontecer. Então a estratégia do jogo que a gente tinha era essa, e a gente conseguiu executar bem um pouquinho, mas o futebol hoje não segue uma lógica formal de você jogar melhor, atacar mais, chutar mais, você vai ganhar o jogo. Mas o Inter praticamente deu esse chute no gol, um chute difícil, mas muito mais difícil do que a chance que a gente perdeu de entrar. O Leon tentou chutar, acertar o gol e acertou a bola lá no trinco.”

Diniz demonstra expectativa por Memphis

Outro tema abordado foi Memphis. Diniz destacou a importância do atacante para o elenco e afirmou que está próximo de poder contar com o jogador. O técnico também ressaltou que praticamente não conseguiu trabalhar com ele em campo desde sua chegada ao Corinthians.

“O mais importante para mim é que a gente está muito próximo de contar com ele. E todo mundo sabe, eu não tive ainda o privilégio de contar com ele desde que eu cheguei. Desde que ele chegou no Corinthians, os jogadores mais decisivos. E é um cara que tem um brilho diferente. E ele vai nos ajudar muito. Estou ansioso para a renovação, está muito perto de acontecer.

Acredito que, nos próximos dias, ele vai acertar a renovação e a gente vai poder trabalhar junto, que eu não tive ainda. Eu trabalhei com o Mendes no campo uma semana, praticamente só. Nem uma semana, acho que uns 4 ou 5 dias. Então ele é um cara que vai dar peso para o nosso time, vai dar qualidade, vai dar experiência. Então vai ser muito bom poder contar com ele.”

Problemas fora de campo

Diniz também foi questionado sobre o impacto de questões extracampo no trabalho da comissão técnica, incluindo a situação financeira, os transfer bans e as condições do gramado da Neo Química Arena.

O treinador afirmou que já conhecia parte dos problemas antes de assumir o comando e elogiou o trabalho do presidente Osmar Stabile e de integrantes da diretoria na tentativa de reorganizar o clube.

“O que mais me contempla na minha vinda para o Corinthians, como você disse, isso não era novidade. Eu sei que o Corinthians já tem uma história de anos que foi acumulando dívidas. E uma das coisas que eu gosto de estar aqui é que eu conheço o presidente há muito pouco tempo, mas eu vejo que ele é um cara muito sério. E ele está tentando pagar dívidas e ao mesmo tempo ter um time.

E tentar colocar o Corinthians em uma boa direção. E isso é uma coisa que eu gosto de participar disso. Porque se não fosse assim, como é que vai fazer se colocar um presidente e equacionar o Corinthians hoje? Com tantas dívidas que tem. Porque os transfer ban não é por conta dessa gestão. Então ele tem uma herança, que não tem como agora se assumir uma cadeira, isso tem que resolver, ele está se esforçando para resolver.

E eu acho que é uma seriedade muito grande, tanto ele quanto o Marcelo, o Tiago, o Júlio, os caras da diretoria. Aconteceu o negócio do campo, que é uma empresa que para nós pegou de surpresa, porque é uma empresa que está aí desde a época que a Arena foi construída. Mas infelizmente entregou o campo em péssimas condições.

E se tratando do melhor campo que tinha no futebol brasileiro. A promessa é de que o campo vai ficar bom. Vai ficar melhor do que estava quando parou e vai voltar a ser o melhor campo do Brasil. Mas o que me anima é que as pessoas trabalham com muita seriedade. Mas é difícil, sem dinheiro a gente tem muito menos possibilidade. Tem hora que você tem que escolher se pagar transfer ban ou pagar salário.

O dinheiro é um só. Agora é saber fazer as coisas, isso não é uma coisa para ninguém estar acomodado, não é uma coisa para acomodar muito, pelo contrário. É criar soluções para que a gente consiga sair dos transfer ban e a gente tenha uma folga financeira para a gente conseguir pagar salário em dia, que os jogadores precisam receber em dia. E o campo melhorar. Eu espero que essas coisas aconteçam. E a gente faz de tudo para que não atrapalhe. Mas obviamente são coisas que não são boas. São coisas que facilitam a vida, o trabalho a acontecer. Mas uma coisa boa é que está todo mundo muito empenhado em fazer o melhor para o Corinthians.”

Técnico faz críticas à arbitragem da eliminatória

A parte mais contundente da entrevista ocorreu quando Diniz foi perguntado sobre a arbitragem. O treinador citou lances dos dois confrontos e considerou que as decisões tomadas tiveram influência direta na classificação do Internacional. Entre as reclamações, Diniz mencionou um possível pênalti em Matheus Bidu no primeiro jogo e uma falta em Kaio César na partida de volta. O treinador também questionou o critério utilizado na marcação das infrações e a condução dos acréscimos na Neo Química Arena.

“Então, acreditando na seriedade da CBF, na comissão de arbitragem, vou falar de uma maneira muito educada. E também sei que os caras da CBF não são ditadores. Acho que eles vivem em um sistema democrático. E o cara não vai me punir outra vez. Eu falei no Mirassol, fiz uma crítica legítima à arbitragem, e me colocaram em algum artigo. Nem sei o que aconteceu com isso, acho que fui absolvido. Mas como você me pergunta, eu acho que como treinador e um cara partícipe do futebol, totalmente envolvido e comprometido com o jogo de futebol, coisa que eu mais amo fazer na minha vida, eu tenho que falar as coisas que eu vejo. Lá foi pênalti, claro, pro Bidu. E foi claríssima a falta.

Como é que aquilo no Kaio César não é falta? Quem que vai falar que não é falta? Tava na minha frente, ele tava do lado. E eu falei pra ele, o que mata a arbitragem é a falta de critério. Tem muita falta de critério de um árbitro pro outro, e tem falta de critério no mesmo árbitro, no mesmo jogo, como foi esse de hoje. Ele deu um monte de falta, como aquela, que foi muito menos falta do que essa no Caio César, ele deu, só você vê a imagem.

O empurrão que o Gustavo Henrique tava sendo agarrado na área, ele empurra pra poder se desvendar da marcação, ele dá falta. E o VAR não chama. E o lance aconteceu, foi um contra-ataque perigoso, depois de quatro segundos o Bidu tava fazendo o gol. E foi determinante pro resultado do jogo. Outra coisa que aconteceu no jogo, como é que ele não vai falar? Ele deu nove minutos no jogo, ele não fez menção nenhuma de dar um cartão amarelo pro Inter.

A gente tem coisa pra melhorar, nós erramos, errei, jogador errou, a gente podia ter feito mais coisas, mas hoje, pessoalmente, a gente se esforçou no limite máximo. Os jogadores estão de parabéns, a torcida tá mais de parabéns ainda, acho que o time onde representou bem a torcida. Lá em Porto Alegre faltou, mas hoje aqui a gente não deixou faltar vontade, nem coragem, nem insistência. A gente jogou como a torcida é. Jogou o tempo todo acreditando que dava, insistindo e na raça, na vontade. Mas o jogo, na questão da arbitragem, ela foi determinante para passagem do Inter. Com todo o mérito que o Inter tem, mas a arbitragem foi determinante nesse confronto.”

Agora, o Corinthians retomará o seu foco para a disputa do Campeonato Brasileiro. No próximo domingo (9), visitará o Red Bull Bragantino, no Estádio Cícero de Souza Marques, em Atibaia, às 18h30 (de Brasília), pela 22ª rodada da competição nacional.

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