Emily Lima explica mudanças no clássico e avalia desempenho do Corinthians após derrota para o Palmeiras
- Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão
O Corinthians foi derrotado pelo Palmeiras por 1 x 0 na noite da última quarta-feira (29), na Arena Barueri, pela quinta rodada do Campeonato Paulista Feminino. Após a partida, a técnica Emily Lima concedeu entrevista coletiva e comentou as alterações promovidas durante o clássico, a atuação da equipe, a ausência de algumas atletas e a disputa por vagas no elenco.
Ao analisar a diferença de desempenho entre os dois tempos, a treinadora afirmou que gostou da atuação da equipe na etapa inicial e explicou que as mudanças foram motivadas tanto pelo desgaste físico quanto pela necessidade de observar atletas que vinham recebendo menos minutos.

“A gente acredita muito nas jogadoras que estavam tendo poucos minutos. A Day fez um grande jogo, mas a gente entendia que faltava ajuste, muito ajuste no segundo tempo, devido a ela já não se deslocar com a intensidade necessária que um jogo desse pede. E ela falava: ‘Profe, eu estou cansada, mas vou tentar encaixar. Deixa que eu vou tentar encaixar’. Esse sempre foi o nosso diálogo. Depois a Ariel. Ariel não é essa meia onde a gente cria o losango, que é algo que a gente vem trazendo e vem dando certo, e tenta entregar o melhor dela. Para mim, do lado oposto da bola, sem a bola, ela fez uma função muito importante para a equipe, ela se entregou. Foi no momento em que a gente tentou fazer as mudanças para manter, pelo menos, essa intensidade sem a bola. A gente conseguiu intensidade, mas não organização. E aí vai muito da situação do jogo e de jogadoras, às vezes, fora das suas posições, que é o caso da Carol. A Carol é muito mais extrema, muito mais última linha. A gente traz a Carol para fazer essa função da Ariel, depois traz a Rayzza para fazer a função da Jaquinha e coloca na última linha as velocistas que nós temos, que são Robledo e Aquino. Então a gente tenta ajustar. A gente treina também com essas meninas. Muitas vezes treinamos as duas situações, pensando no adversário e em nós, para caso aconteça isso elas já terem claro qual é a nossa proposta. Mas não é a mesma coisa.
O ritmo de jogo é diferente, você entra numa situação de emergência e precisa resolver problemas. Então, sim, eu gostei muito do primeiro tempo. Foram muito obedientes taticamente. No segundo tempo também, mas acho que faltou a intensidade que nós tínhamos no primeiro tempo, e aí acabamos abrindo alguns espaços. O meio de campo do Palmeiras tem muita qualidade. Depois você vê as substituições do Palmeiras, e elas mantêm praticamente o mesmo nível de qualidade das titulares. São jogos muito bacanas por causa disso, pelas qualidades que saem e pelas qualidades que entram. Então a gente acaba não perdendo a qualidade do jogo, tanto de uma equipe quanto da outra. Eu vou muito por essa leitura, do ritmo de jogo. Foi importante fazer essas mudanças e esse controle de carga para vermos, em um jogo desse tamanho, o que cada jogadora que vinha tendo poucos minutos pode entregar. Porque uma coisa é o treinamento, outra é o jogo. Isso é muito positivo para a equipe, gera muita dúvida na nossa cabeça, muita discussão por parte da comissão técnica, porque já temos outro jogo difícil fora de casa e precisamos seguir na liderança do Campeonato Brasileiro e continuar nossa caminhada no Paulista.”
Emily também comentou os desfalques da equipe e afirmou que o elenco respondeu bem, mesmo com o resultado negativo diante do rival.
“Olha, eu já falei anteriormente, a gente tem um elenco muito bom. Eu acho que todo mundo faz falta para o elenco, mas acredito que as jogadoras que entraram em campo hoje, as atletas relacionadas, entregaram e não deixaram a desejar em nada. A gente tem esse controle de carga, precisa respeitar o limite das atletas. Vínhamos de uma intertemporada e já encaramos dois jogos muito fortes contra a Ferroviária, então estávamos sujeitos a isso, assim como a outra equipe também. Tentamos colocar em campo as atletas que estavam nas melhores condições físicas, mesmo sendo um Derby. A gente não pode expor a jogadora o tempo todo. A caminhada ainda é longa no Paulista, temos um jogo importantíssimo contra o Flamengo. Acho que, no modo geral, o elenco respondeu muito às nossas expectativas. Infelizmente estou falando isso depois de um placar de 1 x 0 contra a gente, mas, dentro da nossa avaliação, a atuação contra o Palmeiras foi muito positiva.”
Questionada sobre a disputa por espaço no setor ofensivo e as poucas oportunidades para algumas jogadoras, Emily reforçou que as escolhas da comissão técnica são baseadas no desempenho diário das atletas.
“A hierarquia aqui é trabalho. A hierarquia aqui não é só porque ela chama Zanotti, não é só porque a outra chama Vic, Jaque, Duda ou Andressa. A hierarquia aqui é trabalho. Quem entregar e quem trabalhar mais vai ter oportunidade. Estou sendo bem pontual na palavra ‘hierarquia’ que você utilizou. Agora, retomando a pergunta, a Rayzza é muito mais extrema do que meia. Hoje, com a limitação que nós tínhamos no banco, nossas opções de velocidade eram Rayzza, Aquino, Carol e Robledo. A nossa opção foi colocar a Carol, deixar a Rayzza de meia para nos ajudar muito mais na marcação e utilizar Robledo e Aquino na última linha, explorando a velocidade. Elas vêm tendo pouca oportunidade, primeiro porque o rendimento da Jaquinha, na nossa visão, vem sendo adequado. E a Johnson… eu nem vou colocar a Zanotti nessa disputa. A concorrência direta é com a Johnson, que vem numa crescente muito boa. Essa é a nossa visão.
Ela entrega com bola e sem bola. A Johnson ainda tem um ponto que, às vezes, desliga e depois volta a ligar. Isso é muito claro. O que a gente vem trabalhando com ela é justamente para que esteja sempre ativa fora do centro do jogo, que é onde ela costuma desligar. Ela fica fora do raio de nove ou dez metros da bola, desliga, e quando ativa novamente a jogada já passou. Mas ela vem entregando muito sem bola e muito com bola. Hoje fez um jogo dentro do padrão que vinha apresentando. Nossa opção foi colocar a Aquino, que fez um bom jogo contra o Vitória, e tentar buscar a última linha da equipe do Palmeiras. Acho que tudo passa pelo rendimento, tanto nos treinamentos quanto nos jogos. E por isso, às vezes, não só elas duas, mas também a própria Day, que vinha tendo poucos minutos. É uma disputa muito complexa dentro do elenco. Estamos falando de jogadoras com muita qualidade técnica, física e tática. Cabe a nós tomar as decisões e escolher. Às vezes não vai agradar vocês, às vezes não vai agradar elas, mas precisa agradar aquilo em que a gente acredita e o que pensamos.”
O próximo compromisso das Brabas será na segunda-feira, às 18h30 (de Brasília), diante do Flamengo, no estádio Luso Brasileiro, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro Feminino.