Carlos Brazil diz que não existe interferência de Jaça na base do Corinthians
- Por Redação da Central do Timão
Na tarde desta quarta-feira (06), Carlos Brazil, o gerente executivo das categorias de base do Corinthians, contratado no início da gestão de Duílio Monteiro Alves, para organizar e estruturar a formação de novos atletas do Timão, concedeu entrevista ao UOL e falou sobre metodologia de trabalho, planos para futuro e readequação do departamento.
Entre os vários questionamentos respondidos, o gestor falou sobre o desentendimento interno que teve com Jacinto Antônio Ribeiro, conhecido como Jaça, antigo diretor e conselheiro influente na base do clube. Na época, Carlos Brazil teria demitido Tarcísio Pugliese do comando do Sub-20 para trazer Diogo Siston, que comandava a equipe da mesma categoria no Vasco, porém Jaça não aprovou a saída de Tarcísio e fez com que o clube voltasse atrás mantendo o técnico no comando. A decisão sobre demissão seria confirmada dias depois.
“Não houve e não há interferência. Há uma troca de opiniões entre todos que estão no clube. Quando cheguei, trouxe uma ideia concebida do que seria melhor para formação em termos de metodologia e ideias de jogo. O Tarcísio é um grande treinador, tem um histórico muito bom no futebol brasileiro, mas ele não foi treinador de base. Ele é um treinador do futebol profissional. Para a base, eu entendia que ele não estava preparado para aquilo que a gente queria. Não houve desgaste, foi dito claramente para ele. São situações do dia a dia. Na imprensa se discute muito o treinador, mas se discute muito pouco as ideias do treinador. Cada um tem o seu perfil“, explicou Carlos Brazil.
“Naquele momento, entendíamos que o Tarcísio não concordava com a ideia de jogo que a gente tinha. Os resultados também não estavam favorecendo e a gente gostaria de trazer um outro profissional. Ali era o início da gestão e houve um problema de comunicação. Entramos em contato com o Diogo e o Tarcísio estava autorizado a dar o treino aqui. Foi um erro meu no processo da comunicação com o treinador, isso acabou acontecendo até por desconhecimento da cultura de como o clube trabalha. Não há interferência. Aquela era a minha opinião, não era a opinião de outros, mas ouvimos todos. Não houve desgaste em relação a isso“, pontuou.

Além disso, Carlos Brazil deixou claro que existe um estreitamento de diálogo com todos os conselheiros do clube, e também com torcedores. Explicou que tem autonomia no trabalho, mas sempre disposto a ouvir.
“A política é inerente aos clubes, faz parte de todos e não só do Corinthians. O Jaça é conselheiro do clube há muito tempo, é uma pessoa importante e eu não vou deixar de escutá-lo. Evidente que ele me respeita, hoje o diretor estatutário do futebol de base é o Osvaldo Neto. O presidente sempre me deu autonomia de trabalho, foi uma coisa ajustada desde o início. O problema de comunicação aconteceu, eu não sabia bem como funcionava o sistema do clube. Isso está resolvido e é impossível de voltar a acontecer”
“Não há interferência, existe diálogo não só com o Jaça, mas também de outros conselheiros e torcedores. Já recebi torcedores, estou aberto para qualquer pessoa. Procuro marcar hora porque preciso atender as reuniões internas do clube, as reuniões com os pais dos atletas, a preparação para os jogos. Tudo isso toma tempo. A base joga de sábado e domingo, tem programação de viagens e tudo leva tempo. O trabalho é transparente, dentro dos processos, da metodologia que foi elaborada. Não tenho o que esconder“, concluiu.
Além de graduado em Administração e Engenharia, Carlos Brazil, 58 anos, possui formação acadêmica no esporte com pós graduação em Marketing Esportivo (IBMEC), Gestão e Direito no Esporte (Trevisan) e um mestrado em Atividade Física e Gestão, pela Universidad Europea del Atlántico, na Espanha.
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