BLOG DO DELBON – Corinthians, crise evitada

Se é verdade que a diretoria resolveu bancar Tiago Nunes e sua comissão, conforme a ESPN noticiou na manhã de 18 de março, cabe ao torcedor suspirar aliviado, mesmo em tempos de Coronavírus e, muitíssimo mais importante, de desclassificação iminente do Paulistão.
Artigos que defendem a diretoria raramente são populares ou benquistos. Logo aplicam-se etiquetas das mais previsíveis, como a do “passador de pano”. Não ligo, mas cansa se a cada elogio feito à diretoria for necessário apresentar a cartilha de bom mocismo do combate à corrupção dentro do clube, às contas mal explicadas e às negociatas completamente inexplicáveis (de Luidy a Davó). Perde-se logo o intuito do texto em favor de uma boa e marqueteira imagem de “crítico”.
O intuito deste breve texto é agradecer.
Agradecer pelo voto de confiança em Tiago Nunes e pela responsabilização de quem deve ser responsabilizado dentro de campo: jogadores.
Ano vai, ano entra, e jogadores falham miseravelmente, ídolos repetem erros e promessas não se encaixam. É natural e esperado, mas de alguma forma miraculosa esta conta vai para a diretoria, a mesma que montou um elenco competitivo com, no mínimo, dois craques no time titular (Luan e Cantillo).
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Cássio, que tem crédito eterno conosco, não cansa de tomar gols bobos e surpreendentes desde Riquelme, em 2013. Culpa dele? Não, culpa de Andrés e seu planejamento, óbvio. Camacho, que começara bem o ano e foi preterido por Gabriel, ganha oportunidade e se mostra ineficaz. Culpa dele? Absolutamente. Culpa de Vilson, que não tem moral com os jogadores.
E o que falar de Boselli e Love? Há 10 anos formariam uma das duplas mais letais e perigosas do futebol mundial. Hoje? Alternam-se em perder gols feitos ou nem tocarem na bola. Evidentemente a culpa é de Andrés, Vilson, Edu Ferreira e Duílio.
Mesmo não gostando de pegar no pé dos jogadores – apesar de não entender como se protege tanto quem mais ganha e mais tem estrutura para trabalhar no clube – não é hora de eleger bodes expiatórios, tanto entre eles quanto entre comissão técnica e diretoria.
É hora de depositar confiança nos líderes, coisa que Andrés, para desgosto de muitos comentadores esportivos metidos, sabe muito bem fazer. Foi Andrés que segurou Carille até o limite do insuportável no ano passado, assim como fez com Loss, que ficou incríveis 25 jogos no comando do clube. Isso sem lembrar Tite, em 2011, paradigmático exemplo para o futebol brasileiro até hoje, uma década depois.
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Derrubar – ou mesmo cobrar com violência – Tiago Nunes, com menos de 15 jogos, é de uma babaquice e irresponsabilidade sem fim. Irresponsabilidade, é bom que se diga, propagada por fofoqueiros em programas esportivos e por torcedores histéricos.
Vejamos pelo lado bom, contudo: ao lidar com tanto pânico a cada domingo pós-jogo, no whatsapp, no twitter e na tv, o torcedor corinthiano já entra nestes tempos de quarentena devidamente treinado para rir da tragicômica histeria em massa que se aproxima.
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