Associados do Corinthians protestam no Parque São Jorge e cobram mudanças na gestão do clube
- Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
O Parque São Jorge foi palco de um protesto organizado por associados do Corinthians na tarde deste sábado (29). Convocado pelo Coletivo Família Corinthians, o ato reuniu torcedores e sócios para cobrar respostas sobre questões políticas, administrativas e institucionais que vêm gerando tensão nos bastidores do clube.
Batizada de “Protesto dos Sócios — Chega de Descaso!”, a manifestação teve início às 14h e foi marcada por críticas à condução do Corinthians. Entre as principais reivindicações apresentadas pelo grupo estão uma reforma no Estatuto do clube, maior participação dos associados nas decisões internas e transparência nas apurações relacionadas ao desaparecimento de materiais esportivos.

Durante o protesto, os manifestantes exibiram faixas com diferentes mensagens direcionadas à situação do clube. Entre elas estavam “Corinthians não está à venda”, “Reforma do Estatuto já” e “Os sócios não aguentam mais tanta patifaria”.
Em determinado momento do ato, o presidente Osmar Stabile apareceu no local e conversou com os manifestantes. O dirigente é um dos principais alvos das críticas do coletivo e atualmente enfrenta três pedidos de impeachment protocolados contra sua gestão.
Na convocação divulgada antes do protesto, o Coletivo Família Corinthians também questionou decisões administrativas tomadas por Stabile, afirmando que elas “vêm gerando repercussão dentro e fora do clube”.
Além da atual administração, o grupo direcionou críticas ao Conselho Deliberativo, presidido por Romeu Tuma Júnior. O coletivo contestou decisões recentes relacionadas a punições de associados e ex-dirigentes e citou a absolvição de Claudinei Alves e José Valmir da Costa após votação dos conselheiros.
A possibilidade de apresentação de recursos e a análise das punições pelo Conselho, porém, estão previstas no artigo 37 do Estatuto do Corinthians.
Outro ponto levantado durante a mobilização foi a situação do segundo vice-presidente, Armando Mendonça. O dirigente pediu licença do cargo em junho, em meio às investigações sobre o desaparecimento de produtos esportivos da Nike nos almoxarifados do CT Dr. Joaquim Grava e do Parque São Jorge.
Em 23 de junho, Mendonça se tornou réu por supostos crimes relacionados ao caso. Ele responde por acusações de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo. O dirigente nega as acusações e afirma que houve falta de clareza na condução das investigações.
A reforma do Estatuto também esteve entre os principais assuntos do protesto. O Coletivo Família Corinthians considera necessária uma atualização das regras internas para ampliar a participação dos associados na política do clube.
O tema, no entanto, atravessa um momento de incerteza. Na última terça-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a suspensão da Assembleia Geral Extraordinária que discutiria alterações no documento. O encontro estava inicialmente marcado para 19 de setembro.
O grupo também cobra uma investigação considerada rigorosa sobre o desaparecimento de uniformes e outros materiais esportivos. Além disso, critica a postura do Conselho de Orientação (Cori) em relação aos associados e defende mais espaço para participação, diálogo e direito de voz aos frequentadores do Parque São Jorge.
Com o lema “Nossa união é mais forte que o descaso!”, o coletivo buscou mobilizar associados frequentadores e votantes do clube. A manifestação teve como objetivo pressionar a administração e os órgãos internos do Corinthians por esclarecimentos e defender uma participação mais efetiva dos sócios nas decisões que envolvem os rumos da instituição.
Confira outras imagens do protesto cedidas à Central do Timão:
