Torcedores do Corinthians fazem ato no MP-SP e pedem intervenção judicial no clube
Por Redação da Central do Timão
Centenas de torcedores do Corinthians participaram, nesta quarta-feira (19), de uma manifestação em frente à sede do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na região central da capital paulista. O ato foi organizado pelas torcidas do Timão e teve como principal reivindicação a adoção de uma intervenção judicial no clube.
Os manifestantes exibiram faixas e cartazes com pedidos de “socorro” ao Ministério Público e defenderam que o órgão adote medidas diante da atual situação administrativa e financeira do clube, cujo endividamento é estimado em R$ 2,7 bilhões. A mobilização contou com a participação das torcidas organizadas Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra.

O movimento havia sido convocado pelas torcidas nas redes sociais e, segundo o texto divulgado para chamar os torcedores, tinha como objetivo demonstrar apoio ao trabalho do Ministério Público e solicitar a “imediata efetivação da intervenção judicial” no clube.
Na convocação, as organizadas classificaram a manifestação como um ato pacífico e simbólico. O texto afirma que a intenção era pedir que os órgãos competentes analisassem a situação do Corinthians e adotassem as medidas consideradas cabíveis, sem confronto ou atos de desordem.
De acordo com a apuração da Central do Timão, que acompanhou a manifestação no local, líderes das torcidas organizadas foram recebidos pela promotoria no MP-SP para uma conversa sobre o andamento do inquérito.
A mobilização ocorre em meio à crise política, administrativa e financeira que assola o Corinthians. Os torcedores atribuem o alto endividamento do clube a sucessivas más gestões e cobram reformas profundas na estrutura administrativa e no modelo associativo do Timão.
Presidente do Corinthians foi ouvido pelo Ministério Público
O ato acontece poucos dias após o presidente do Corinthians Osmar Stabile prestar depoimento ao MP-SP. No dia 10 de agosto, o dirigente foi ouvido pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, responsáveis pelo inquérito que avalia a necessidade de uma intervenção judicial no clube.
A oitiva teve como objetivo esclarecer questões relacionadas à gestão do clube e às situações administrativa e financeira do Corinthians. Os promotores também questionaram a atual administração sobre as medidas já adotadas para enfrentar a crise e solicitaram acesso a documentos complementares para aprofundar a análise.
Torcidas programam novos protestos
A manifestação em frente ao Ministério Público faz parte de uma sequência de mobilizações anunciadas pelas torcidas organizadas do Corinthians para esta semana.
Na quinta-feira (20), quando o Timão enfrenta o Rosario Central, pela Conmebol Libertadores, os grupos afirmam que pretendem apoiar os jogadores durante a partida, mas também realizar protestos nas arquibancadas da Neo Química Arena.
A programação divulgada pelas organizadas prevê ainda uma nova manifestação no sábado (22), a partir das 10h, em frente ao Parque São Jorge. A convocação pede a participação dos torcedores em um ato contra os dirigentes e integrantes da estrutura política do clube.
No comunicado, as torcidas afirmam que os protestos têm como objetivo cobrar transparência, responsabilidade administrativa e mudanças no Timão. O texto também critica o modelo político do clube e defende maior participação da torcida nas decisões.
Intervenção judicial depende da Justiça
O inquérito civil que avalia a necessidade de uma intervenção judicial no clube foi instaurado pelo Ministério Público em dezembro de 2025, a partir de denúncias recebidas pelo órgão. Embora não haja prazo legal previamente estabelecido para sua conclusão, a expectativa é de que a apuração ainda se estenda por pelo menos dois meses.
A partir das conclusões do inquérito, diferentes desdobramentos são possíveis. Se os promotores entenderem que a situação do Corinthians justifica uma medida mais severa, o Ministério Público poderá ajuizar uma ação civil pública e solicitar à Justiça a intervenção judicial na administração do clube. Essa intervenção, contudo, não é determinada diretamente pelo órgão; cabe ao Poder Judiciário analisar o pedido e decidir se estão presentes os requisitos necessários para sua adoção.
Como alternativa, o MP pode optar pela celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Nesse caso, o próprio Corinthians assumiria compromissos para implementar as correções apontadas pela promotoria, dentro das condições e prazos estabelecidos no acordo.
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