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Gaviões da Fiel protestam nas arquibancadas e repudiam tentativa de veto a faixas antes de jogo do Corinthians

30/07/2026 Por Henrique José Pereira de Almeida
Gaviões da Fiel protestam nas arquibancadas e repudiam tentativa de veto a faixas antes de jogo do Corinthians
  • Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

 

Na noite desta quinta-feira (30), os Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians, publicaram uma nota oficial criticando a tentativa de impedir a entrada de faixas de protesto na Neo Química Arena antes da partida contra o Athletico Paranaense, válida pelo Campeonato Brasileiro.

Os materiais levados pela organizada continham mensagens direcionadas à atual gestão do clube e ao presidente Osmar Stabile. Entre as críticas estampadas nas faixas, estavam cobranças relacionadas ao Cori (Conselho de Orientação), aos transfer bans sofridos pelo Corinthians e ao elevado endividamento da instituição.

Faixas estendidas pelos Gaviões durante o jogo. Foto: Rodrigo Oliveira/Central do Timão

 

Segundo a Gaviões, todas as faixas passaram pela inspeção do Batalhão de Choque da Polícia Militar, órgão responsável por vistoriar esse tipo de material antes da entrada nos estádios, e receberam autorização para serem utilizadas. Ainda assim, de acordo com a organizada, funcionários da Neo Química Arena impediram inicialmente o acesso dos itens ao estádio.

A administração da Casa do Povo informou que havia dúvidas sobre a liberação das faixas. Pouco tempo depois, porém, com a chegada do presidente Osmar Stabile ao local, o material acabou sendo autorizado e pôde ser levado para as arquibancadas pelos integrantes da torcida.

Nas faixas, que foram estendidas ao longo do primeiro tempo da partida, estavam escritas frases como: “basta de amadorismo”, “CORI: representa quem?”, “debatam projetos ou apresentem melhores”, “liminar não cala a torcida, vocês não são domos do Corinthians!”, “transfer ban: até quando?” e “bilhões em dívidas, zero de vergonha!”

A relação entre a atual diretoria e os Gaviões da Fiel já vinha sendo marcada por divergências nos últimos dias. Na quarta-feira, representantes da organizada estiveram no Parque São Jorge para uma reunião com Osmar Stabile, na qual apresentaram cobranças sobre temas considerados prioritários pela torcida.

Entre os assuntos discutidos estiveram a possibilidade de adoção de um modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no Corinthians e a delicada situação financeira do clube, que atualmente convive com transfer bans que somam cerca de R$ 23 milhões, além de um passivo superior a R$ 3 bilhões.

Confira a nota divulgada pelos Gaviões da Fiel: 

O Gaviões da Fiel repudia, com a mais absoluta indignação, o veto arbitrário imposto pela diretoria do Sport Club Corinthians Paulista à entrada de faixas de protesto na arquibancada, previstas para o jogo desta noite, às 19h30.

As faixas em questão passaram regularmente pelo crivo técnico do Batalhão de Choque da Polícia Militar, órgão responsável pela análise de segurança de todo material que ingressa no estádio. Foram aprovadas. Autorizadas. Liberadas. Mas, ao tomar conhecimento do conteúdo, crítico à má gestão e aos desmandos administrativos, a diretoria simplesmente decidiu que a voz da torcida não pode ser ouvida.

Não se trata de segurança. Trata-se de censura.

É preciso lembrar aos atuais mandatários, porque parece que esqueceram, que o direito à manifestação pacífica é garantido pelo artigo 5º, inciso IV, da Constituição Federal. Não é favor. Não é concessão. É direito.

É preciso lembrar também, com ainda mais ironia, que este é o mesmo Corinthians que em 1982 deu ao mundo a Democracia Corinthiana, movimento histórico que transformou o clube em símbolo universal de liberdade, participação e voz ativa dentro do próprio ambiente esportivo. O legado que inspirou o mundo hoje é atropelado por dirigentes que têm medo de uma faixa de pano.

Se a gestão fosse transparente e as contas fossem claras, não haveria faixa que incomodasse. O incômodo é a prova do acerto do protesto.

O Gaviões da Fiel reafirma: seguiremos exercendo, sempre dentro da lei e do respeito, o direito de cobrar, fiscalizar e criticar quem administra o patrimônio e o nome do maior clube do Brasil. Nenhuma proibição arbitrária vai silenciar a Fiel.

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