Goleiro do Corinthians faz ponderações sobre erros no jogo com os pés
- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
O goleiro Hugo Souza, do Corinthians, concedeu, no início de julho, uma entrevista ao programa PodBoa, no YouTube, e afirmou que não possui dificuldades para sair jogando com os pés – algo que o estilo de jogo do técnico Fernando Diniz ‘exige’ – e revelou como encarou alguns erros cometidos no fundamento em questão. Um deles aconteceu na derrota por 2 x 0 contra o Platense, da Argentina, na reta final de maio, na Neo Química Arena, pela última rodada da fase de grupos da Conmebol Libertadores.
O camisa 1 do Timão ressaltou que sempre teve facilidade no jogo com os pés desde as categorias de base do Flamengo até o seu início como atleta profissional. O goleiro relembrou sua primeira falha no quesito, que aconteceu em um jogo contra o São Paulo, no Maracanã, pelas oitavas de final da Copa do Brasil de 2020, quando tentou sair jogando dentro da pequena área e foi desarmado pelo atacante Brenner, à época do São Paulo.

“Sim, era um assunto específico (trabalhar esse quesito), porque sempre fui muito bom nisso. Na base, eu dava assistência, nosso time jogava por música. No profissional, quando eu subo, que eu começo a jogar, eu estava deitando e rolando nisso aí. Joguei um jogo, o treinador me botou para jogar assim, e eu fiquei jogando direto, e eu estava indo muito bem. Só que (a minha) primeira falha foi com o pé e eu me travo”, iniciou.
Em seguida, Hugo Souza detalhou como lida com tal pressão atualmente e comentou que, muitas vezes, um erro pode fazer com que o atleta deixe de arriscar dentro das quatro linhas: “Tu fazer as coisas com medo, é a pior coisa do mundo. Tu vai evitar tentar qualquer coisa. Eu tenho muito bom jogo com os pés e eu vou continuar fazendo. Só que a minha cabeça hoje me permite continuar fazendo. Eu errei agora no jogo da Libertadores contra o Platense. Irmão, f**a-se. Eu vou continuar fazendo o que eu treino e não estou nem aí. Eu sou bom no que eu faço e já era. Eu errei porque eu treino, porque eu sei fazer aquilo ali. E todo mundo vai errar”, continuou.
Posteriormente, o arqueiro propôs uma reflexão de como as pessoas costumam definir a qualidade de determinado jogador por uma falha e falou sobre a maneira como um erro de um goleiro é tratado em relação aos atletas de outras posições.
“O problema é que se o zagueiro errar o passe para o lateral, às vezes não dá gol. O atacante errar o gol, beleza. Eu não posso errar. E eu tenho noção do peso que tem o meu erro, mas eu também tenho noção de quem eu sou. Vou errar, vou acertar. Acertei na minha vida muito mais do que errei. O problema é que as pessoas te rotulam, elas querem fazer de você o teu erro. Tu errou com o pé? Ah, tu não sabe jogar com o pé. Tu tomou um gol que era defensável? Ah, você não serve mais, não tem nível para isso. Tá aí a quantidade de defesa que tu faz, a quantidade de acerto que tu tem, só que ninguém vai olhar pra isso”, prosseguiu.
Por fim, Hugo Souza citou sua chegada ao Corinthians como uma segunda chance, além de uma mudança de mentalidade – ter consciência de quem é, pouco se importando com a opinião de outras pessoas.
“Deus me deu uma oportunidade nova na minha vida, que foi ter vindo para o Corinthians e conseguir desempenhar o que eu estou desempenhando, porque hoje todo mundo sabe quem eu sou. A principal mudança na minha vida foi essa: o fato de eu saber quem eu sou fez com que a minha postura dentro de campo, no meu desempenho, mostrasse para todo mundo quem eu sou. Então, eu posso errar e acertar, mas todo mundo sabe o que eu posso fazer, do que eu sou capaz, gostando ou não. Nem Jesus Cristo agradou todo mundo, e foi o maior que pisou na Terra“, finalizou.
Hugo Souza foi contratado pelo Corinthians em julho de 2024, inicialmente por empréstimo, junto ao Flamengo, depois de ter se destacado no Chaves, de Portugal, clube no qual atuou por um ano cedido pelo time carioca. Em novembro do mesmo ano, depois de se tornar um dos principais jogadores do Timão rapidamente, foi adquirido em definitivo. Ele participou efetivamente da arrancada do Alvinegro no Brasileirão (do Z4 à Pré-Libertadores), além de ter sido decisivo nas conquistas do Campeonato Paulista (2025), Copa do Brasil (2025) e Supercopa do Brasil (2026), diante de Palmeiras, Vasco da Gama e Flamengo, respectivamente.
O jovem arqueiro é o terceiro da posição que mais defendeu pênaltis na história do Corinthians (14), perdendo apenas para Cássio (32) e Ronaldo Giovanelli (27), respectivamente. Em 123 jogos (todos como titular), foram 58 vitórias, 35 empates e 30 derrotas – 56,6% de aproveitamento.