Urgente! Conselho Deliberativo decide pela expulsão de Andrés Sanchez do Corinthians
- Por Lucas Barreiros/Redação da Central do Timão
O Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians decidiu pela expulsão de Andrés Sanchez do quadro de associados do clube. O movimento acontece após um dos episódios mais polêmicos dos bastidores políticos recentes do Parque São Jorge, no qual o ex-presidente realizou gastos indevidos no cartão corporativo do Alvinegro. O parecer elaborado pela Comissão de Ética e Disciplina já havia sido unânime pela expulsão do ex-dirigente. Dentre os conselheiros vitalícios, a decisão da expulsão foi apertada: 16 para o “sim” e 14 para o “não”. Já nos trienais, a maioria esmagadora votou pela expulsão, fechando em 112 votos sim e 49 pelo não, além de seis abstenções.
Presente na votação, que ocorreu no Parque São Jorge, na noite desta segunda-feira (25), a Central do Timão pôde acompanhar uma intensa movimentação na entrada da sede do clube desde o período da tarde. Com direito a presença de torcedores e muitas faixas de protesto (contra e a favor da expulsão) na área externa, foi necessária a elaboração de um cordão de isolamento do lado de fora para que os conselheiros pudessem entrar no PSJ para realizar a votação.

A sessão foi presidida por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo do Corinthians. Vale destacar que houve tentativa de impedir a votação aberta e nominal, mas sem sucesso. Aproximadamente de 170 conselheiros participaram da votação que decidiu a expulsão de Andrés Sanchez. Armando Mendonça, vice-presidente do clube, acabou expulso da sessão.
Entenda o caso
Andrés presidiu o Corinthians em dois períodos distintos, entre 2007 e 2011 e, posteriormente, de 2018 a 2020. O procedimento disciplinar teve origem nas investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e, internamente, pela Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo, sobre despesas pessoais custeadas com o cartão corporativo do clube durante seu segundo mandato.
Ao longo da apuração, a Comissão de Ética analisou 50 despesas realizadas entre 2018 e 2020, cujos valores somados ultrapassam R$ 180 mil. As faturas foram anexadas ao processo e incluem gastos em restaurantes, hotéis, lojas, supermercados, farmácias, free shops e até fretamento de helicóptero, tanto no Brasil quanto no exterior.

Durante a instrução do procedimento, a Comissão determinou que Andrés Sanchez apresentasse justificativas individualizadas para cada lançamento apontado, acompanhadas de documentos que comprovassem eventual vínculo institucional das despesas ou possível ressarcimento ao Corinthians.
Após a manifestação da defesa do ex-presidente, o relator do caso e presidente da Comissão de Ética Leonardo Pantaleão votou pelo desligamento de Andrés Sanchez do quadro associativo, entendimento acompanhado pelos demais integrantes do colegiado disciplinar.
Gastos listados no processo
Entre as despesas apontadas no procedimento aparecem pagamentos realizados entre 2018 e 2020 em restaurantes, hotéis, supermercados, farmácias, lojas de luxo, free shops e serviços particulares, tanto no Brasil quanto no exterior. Em 2018, constam gastos como R$ 5.311,64 no Hospital Albert Einstein, despesas de R$ 23.468,71 em viagem para Madri e Londres, além de pagamentos em restaurantes como Adega Santiago, em Madri, e Restaurante Boizão, em São Paulo.
Já em 2019, o processo lista despesas em estabelecimentos como Rubaiyat, Paris 6, Drogaria Raia, Duty Free Ezeiza, Sunglass Hut, H. Stern e restaurantes em Montevidéu, Manaus e Porto Alegre, além de gastos em hortifruti, salão de beleza e lojas diversas.
Em 2020, os lançamentos incluem cerca de R$ 6 mil no Restaurante Zé Maria, em Fernando de Noronha, R$ 22.806,33 no Hotel Wellington, em Madri, além de despesas em supermercado, centro automotivo, Fast Shop, Mercado Pago Prime, lojas em free shop e o pagamento de R$ 30.700,00 à Helimarte Táxi Aéreo.
Na Justiça
Ainda por conta do uso indevido do cartão corporativo, Andrés Sanchez responde processos na Justiça em denúncias apresentadas pelo Ministério Público. O ex-dirigente é acusado de apropriação indébita em um dos processos. Em outro, inicialmente a Justiça rejeitou as denúncias de que o caso caracterizaria lavagem de dinheiro e crime tributário.