Corinthians terceirizou serviço de segurança com empresa irregular registrada em nome de funcionário do clube
- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
Entre setembro e outubro de 2025, já sob a gestão de Osmar Stabile, o Corinthians utilizou uma empresa de segurança terceirizada irregular e sem contrato, que não tinha autorização da Polícia Federal para prestar tais serviços. As orientações eram passadas apenas de maneira verbal pela diretoria administrativa. A informação foi publicada pela Sport Insider.
A empresa em questão era a Mega Assessoria Operacional Ltda, constituída em julho de 2025, pouco mais de um mês depois da destituição de Augusto Melo da presidência do clube. Ela foi aberta por Fernando José da Silva, que na época era gerente operacional do Parque São Jorge e atualmente gerente operacional do CT Dr. Joaquim Grava.

A reportagem da Sport Insider obteve acesso a três notas fiscais que, juntas, somam R$ 676 mil. Nos documentos, a empresa terceirizada reveza sua descrição como “assessoria de qualquer natureza”, “consultoria econômica” e “vigilância”. A primeira nota foi emitida no dia 11 de setembro, no valor de R$ 244.627,66. Já a segunda, doze dias depois, registrada em R$ 208.350,00. A terceira e última foi emitida no dia 21 de outubro – R$ 223.650,00.
À Sport Insider, Fernando afirmou, inicialmente, que a empresa foi constituída por ele atendendo ordens de Fábio Soares, diretor administrativo do Corinthians, buscando possibilitar o pagamento dos profissionais recém-contratados para segurança e gestão de acesso no Parque São Jorge. No dia seguinte, mudou a sua versão, citando que, na verdade, o pedido teria sido feito pelo presidente Osmar Stabile. O mandatário teria autorizado a contratação de pessoas em nome do clube por um período de 60 dias.
“Foi uma solicitação do presidente. Tinha duas empresas lá que o presidente tirou, que estavam envolvidas com o crime organizado e, para proteção do clube, ele pediu para emergencialmente serem contratados policiais militares aposentados para fazer a segurança. A Mega Assessoria foi feita para poder fazer o pagamento dessas pessoas. Foi uma questão emergencial, não tinha como”, disse.
No final de maio de 2025, logo depois do afastamento provisório de Augusto Melo da presidência, destituído do cargo em agosto, constatou-se a necessidade de trocar a equipe de segurança em sua totalidade. Após a mudança na diretoria – entrada de Osmar Stabile, até então vice-presidente, o Alvinegro reconheceu irregularidades nas empresas que prestavam tal serviço e substituiu os funcionários que realizavam o controle de acesso.
Os pagamentos da empresa de segurança constituída em meados do ano passado foram interrompidos depois da sinalização de Ricardo Okabe, superintendente administrativo da Neo Química Arena e próximo a Osmar Stabile, que ressaltou que o modelo de pagamento aos funcionários da Mega Assessoria Operacional Ltda não seguia os modelos de governança do Corinthians.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) já teve acesso às três notas fiscais emitidas pela empresa responsável pelos serviços de segurança. O promotor Cassio Conserino, que conduz investigações relacionadas às últimas gestões do clube, pretende apurar a origem dos recursos utilizados nos pagamentos, uma vez que as notas fiscais não constam no sistema interno do Corinthians. De acordo com o TMC, o MP também busca verificar se outros fornecedores do clube operam sob o mesmo modelo.
Em nota, o clube afirmou que a contratação da empresa Mega Assessoria Operacional Ltda ocorreu após a invasão ao quinto andar do Parque São Jorge, em 31 de maio de 2025, diante da necessidade emergencial de reforço na segurança durante o processo de transição de gestão no clube. O clube também declarou que a relação profissional de Fernando José da Silva era de conhecimento da administração e que, à época, não identificou conflito de interesses formalmente caracterizado.
Ainda segundo o Corinthians, os pagamentos realizados corresponderam a serviços operacionais executados nos pontos de segurança do Parque São Jorge, do CT Dr. Joaquim Grava e do CT das categorias de base. Por fim, informou que, após a estabilização do ambiente interno, abriu concorrência para a contratação de uma nova empresa de segurança.
Confira abaixo a nota oficial do clube enviada à Sport Insider sobre o tema:
“Sobre os questionamentos enviados pela reportagem acerca dos serviços prestados pela empresa Mega Assessoria Operacional Ltda, o Sport Club Corinthians Paulista esclarece:
1) Após o lamentável episódio da invasão ao quinto andar no dia 31 de maio de 2025, foi detectada a necessidade de substituição da equipe de segurança para preservar o processo de transição de gestão no clube até a data da assembleia geral que definiria o impeachment de Augusto Mello e a posterior eleição do novo presidente em reunião do Conselho Deliberativo. A contratação, portanto, ocorre a partir de uma demanda operacional de emergência identificada.
2) A relação profissional do senhor Fernando José da Silva era de conhecimento da administração. À época, entendeu-se que não havia conflito de interesses formalmente caracterizado, considerando a natureza dos serviços contratados, a estrutura operacional vigente e a demanda emergencial identificada.
3) Os pagamentos realizados corresponderam a demandas operacionais executadas durante o período contratado, incluindo despesas relacionadas a contratação de pessoal e suporte operacional realizados pela Mega Assessoria Operacional Ltda. Os valores refletem a soma dos serviços apresentados pelo controle dos pontos de segurança do Parque São Jorge, CT Dr. Joaquim Grava e CT das categorias de base.
4) Com a estabilização do ambiente interno do clube, houve a abertura de concorrência para a contratação de uma nova empresa responsável pelos serviços de segurança.”