Coletivo critica aprovação das contas e cobra responsabilidade de conselheiros do Corinthians
- Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
Após a aprovação das contas do exercício de 2025 pelo Conselho Deliberativo do Corinthians, realizada na noite da última segunda-feira (27), o Coletivo Voz Corinthiana divulgou uma nota oficial em tom crítico ao resultado da votação. O grupo, formado por torcedores e associados do clube, classificou a decisão como motivo de “profunda lamentação” e afirmou representar o sentimento de indignação de parte da torcida alvinegra.
As demonstrações financeiras foram aprovadas por 106 votos favoráveis contra 68 contrários. Na manifestação, o coletivo afirma que a decisão desconsiderou o parecer da auditoria independente e alertas técnicos relacionados à situação financeira do clube. Segundo a nota, a aprovação teria ignorado critérios contábeis essenciais, o que provocaria distorções capazes de comprometer a confiabilidade das demonstrações financeiras e de expor o Corinthians a riscos jurídicos e regulatórios.

O grupo também mencionou o ambiente externo à reunião do Conselho Deliberativo. De acordo com o texto, integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel se posicionaram na entrada do teatro do Parque São Jorge para cobrar explicações dos conselheiros. Ainda segundo a nota, a saída dos membros do órgão teria ocorrido por acessos alternativos, com o fechamento da entrada principal, o que foi interpretado pelo coletivo como um gesto de distanciamento em relação à transparência.
Outro ponto abordado foi a declaração do presidente do clube Osmar Stabile, que afirmou após a votação que o Corinthians havia sido “passado a limpo”. Para o Coletivo Voz Corinthiana, a narrativa não condiz com os acontecimentos registrados durante a sessão.
Na avaliação do grupo, um dos episódios centrais da noite foi a recusa de André Lavieri, representante da Alvarez & Marsal e responsável pela gestão financeira do clube, em assinar o termo de responsabilidade referente às demonstrações contábeis. O coletivo também saiu em defesa da atuação da imprensa, citando questionamento feito pelo repórter Henrique Vigliotti, da Central do Timão, ao presidente do clube. Segundo a nota, houve reação desproporcional ao jornalista.
“O Coletivo Voz Corinthiana reitera seu entendimento de que a imprensa exerce papel vital na fiscalização das instituições”, diz trecho da manifestação. O grupo acrescenta que qualquer tentativa de intimidação ou desqualificação do trabalho jornalístico representa afronta aos princípios de transparência e participação.
A nota ainda criticou declarações de conselheiros favoráveis à aprovação das contas. O coletivo citou Rubens Gomes, o Rubão, que teria afirmado possuir conhecimento contábil limitado, mas votado favoravelmente ao balanço. Também mencionou Cesar Romeu, que justificou seu posicionamento como forma de “apoiar o presidente”, o que, na visão do grupo, desvirtua a função fiscalizadora do Conselho Deliberativo.
O vice-presidente Armando Mendonça também foi mencionado por ter classificado a aprovação como um “voto de confiança” na gestão. Para o coletivo, aprovar contas questionadas tecnicamente por razões políticas configura postura incompatível com a responsabilidade esperada dos dirigentes.
A manifestação também contestou tentativas de atribuir parte da crise financeira do clube ao atacante Memphis Depay. O grupo citou declarações de conselheiros que relacionaram a situação econômica à contratação do jogador e classificou essa interpretação como simplista e tecnicamente equivocada diante do passivo total do Corinthians, estimado em R$ 3,3 bilhões.
Segundo a nota, responsabilizar individualmente o atleta ignora problemas estruturais acumulados por diversas administrações ao longo dos anos. O coletivo ainda ressaltou o desempenho esportivo de Memphis e afirmou que o jogador passou a incomodar setores políticos internos por expor publicamente dificuldades administrativas do clube.
Por fim, o Coletivo Voz Corinthiana afirmou que a aprovação das contas no âmbito político não encerra eventual discussão jurídica sobre o tema. O grupo citou a Lei Geral do Esporte e sustentou que dirigentes e agentes com poder de decisão podem ser responsabilizados individualmente por atos de gestão e fiscalização.
Encerrando a manifestação, o coletivo reiterou seu posicionamento em defesa do clube e cobrou maior responsabilidade institucional dos órgãos internos do Corinthians.
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