Dorival Jr destaca qualidade do Cruzeiro e volta a falar sobre o Brasileirão do Corinthians
- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
O Corinthians se classificou para a final da Copa do Brasil na noite do último domingo (14) ao eliminar o Cruzeiro, na Neo Química Arena, vencendo o adversário por 5 x 4 nas penalidades máximas. A soma dos placares nos dois jogos foi de 2 x 2 (1 x 0 no Mineirão e 2 x 1 em Itaquera). Ontem, o gol Alvinegro foi anotado pelo lateral-esquerdo Matheus Bidu.
O técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva à imprensa e foi questionado se a mudança das datas das semifinais da Copa do Brasil para o final do ano foram boas ou não. O comandante entende que não é possível definir, mas ponderou que, ao longo do Campeonato Brasileiro, teve dificuldades para repetir escalações justamente pelo alto número de desfalques – muitos deles considerados os pilares do time e, agora, tem todo o seu elenco disponível.

“É difícil saber isso. Se foi bom, se foi ruim, não tem como saber. Naquele momento, nós tínhamos muitos jogadores fora de combate. Foi a primeira vez que eu tive todo o elenco nas mãos, que eu pudesse fazer assim: Eu vou ter necessidade de tirar um, dois, três, porque não tenho como levar todos para o banco. Em nenhuma convocação eu consegui fazer isso. Nós sempre tivemos muitos jogadores afastados fora e jogadores importantes.“
“Jogadores que fazem parte da espinha dorsal da equipe. Como também de muitos jogadores que são opções, mas que são opções muito importantes para nossa equipe. Então, pela primeira vez nesses dois jogos, eu tive a oportunidade de tê-los todos em condições. O Raniele e o Garro, um pouco ainda abaixo, o Yuri um pouco ainda, mas mesmo assim, em condições de eu poder ter a possibilidade de uma decisão, de uma definição. E espero que a gente mantenha isso até a última partida, se Deus quiser”, iniciou.
Vale lembrar que, no Campeonato Brasileiro, o Corinthians foi apenas o décimo terceiro colocado com 47 pontos (12 vitórias, 11 empates e 15 derrotas – 42 gols marcados e 47 sofridos). Dessa forma, o comandante, em seguida, discorreu sobre os desafios da equipe em buscar uma maior regularidade, como houve, por exemplo, na vitória por 1 x 0 contra o Cruzeiro, na partida de ida da semifinal da Copa do Brasil, no Mineirão, no último meio de semana.
Ele ponderou, também, que não teve as mesmas condições de investimento que grande parte dos clubes da Série, inclusive o Cruzeiro. Em 2025, foram apenas dois atletas contratos: o lateral-esquerdo Fabrizio Angileri e o meia Vitinho. O Alvinegro ainda tem um transferban ativo na Fifa e com uma dívida próxima de R$ 3 bilhões.
“É muito difícil tudo isso, porque nós temos que olhar do lado de lá e percebermos o potencial que tem a equipe do Cruzeiro, e não é uma equipe simples, é uma equipe que teve um nível de investimento altíssimo, jogadores de um perfil excelente, qualidade em todas as funções, em todas as posições, muito bem treinado, tem uma equipe equilibrada. Um pouco diferente ainda do que nós estamos construindo, o nosso trabalho é um pouco diferente, vendo por isso, Fabinho sabe disso, há mais de um ano aqui dentro, o processo ainda é um pouco complicado. Nós não tivemos oportunidade de correções em duas janelas, isso tudo a gente paga um preço muito alto.”
O treinador do Corinthians também citou a dedicação da comissão técnica e do departamento de futebol no dia a dia, ressaltando o desejo de que gostaria de ter deixado a equipe em uma melhor condição no Brasileirão 2025.
“Agora, eu falo pra vocês de coração, a gente chega às 6h30, dentro Centro de treinamentos, saímos de lá 20h da noite. O nível de entrega, de comprometimento de toda a minha comissão é pra que nós possamos dar o máximo ao Corinthians. Se alguma coisa nos faltou dentro do Campeonato Brasileiro, me desculpem, não tínhamos como fazer diferente. Realmente, não foi o que nós gostaríamos de ter entregue, porém, nós tentamos com a entrega que está existindo, pelo menos, é, diminuir um pouco essa distância, essa diferença em relação a muitas equipes que eu vi vendo o Campeonato. E mesmo assim, nós tivemos grandes jogos nos momentos mais complicados, difíceis e contra as equipes de melhor porte ou que estivessem nesse instante, ocupando posições de destaque no Campeonato Brasileiro.”
Ele prosseguiu: “Então, eu acho que coisas boas aconteceram com o Corinthians. Os resultados não foram aquilo que nós gostaríamos, eu conheço, mas o caminho, ele sempre os mostrou que alguma coisa poderia acontecer e graças a Deus é na Copa do Brasil que nós estamos buscando. Teremos agora os dois finais. Foi pontuado ali atrás: a minha quinta decisão, graças a Deus, é a minha sexta semifinal. Nós vamos fazer de tudo para que as coisas aconteçam, por merecimentos a todas as pessoas que acreditaram no trabalho de toda essa equipe que aqui está. Só tenho a agradecer e aqueles que naturalmente desgostaram, apenas sinto muito porque o trabalho nem sempre acontece em resultados nos momentos que nós queremos, mas sim nos momentos em que se cumpram de repente alguns objetivos ou que não se queimem etapas como todos desejam. Futebol é assim e não vai alterar, não vai mudar em sentido nenhum”, complementou.
O comandante foi perguntado sobre a reação efusiva do zagueiro Gustavo Henrique após marcar um dos cinco gols da equipe nas cobranças de pênalti, diante do Cruzeiro. Ele voltou a destacar a força da torcida e ressaltou que, nestes momentos, a concentração do atleta é fundamental.
“A atenção do atleta é fundamental, a maneira como ele expõe tudo aquilo que ele está sentindo, tudo aquilo que ele está percebendo naquele instante. É um insight que o atleta tem que possa fazer uma mudança comportamental naquilo que vem acontecendo naquele momento, naquele instante, naquela situação. É interessante, algumas vezes já aconteceram, não só em Copa do Brasil, mas em outros momentos também já tive esse tipo de reação de alguns atletas, o que mexe demais com o torcedor e faz com que ele se aproxime ainda mais da equipe. Eu acho que tudo que nós vimos hoje da Fiel Torcida foi uma coisa que impressionou a maneira como eles nos conduziram a essa recuperação. Eu só tenho a agradecer, a enaltecer e a reconhecer o valor de uma torcida como essa. Eles foram decisivos e fundamentais, logicamente também estimulados pelo que a equipe. A luta que a nossa equipe teve, a entrega, dedicação desde o jogo lá de Belo Horizonte, é digno de todos os reconhecimentos.”
Dorival fez elogios ao meia Breno Bidon (20 anos) e as conversas com o jogador no dia a dia para que o jovem evolua siga evoluindo em suas performances. Dorival Júnior ainda afirma que, em nenhum momento, aborda com o atleta o tema sobre propostas de equipes do exterior.
O meio-campista é considerado uma das grandes revelações da base corinthiana nos últimos anos e figura como titular do time principal desde a metade do ano passado. Em 99 jogos, são dois gols e três assistências como profissional.
“Olha, o jogador sabe diferenciar muito bem o que é uma proposta, o que é uma proposta quando ela é uma alternativa, uma proposta quando ela é fixa, quando ela é direta. De uma partida, de uma preparação para um momento tão importante como esse. Eu não tive nenhum tipo de conversa com ele (Breno Bidon), em nenhum sentido sobre isso, apenas chamei a atenção em alguns momentos para que ele não deixasse cair, com um ritmo que ele vinha mantendo durante boa parte da competição.”
“É natural que você oscile em alguns momentos, mas essa regularidade dele é o que nos fez acreditar cada dia mais em um jogador como ele. E eu acho que o nível que ele vem demonstrando em partidas importantes é o que nos faz também acreditar que ele esteja no caminho e buscando naturalmente, quem sabe futuramente, uma proposta que seja real para uma possível saída pela competência e pelas qualidades que ele vem.”
Por fim, o técnico do Corinthians fez um desabafo e pediu mais respeito dos profissionais da imprensa quanto aos trabalhos dos treinadores brasileiros ao ser questionado sobre seus números expressivos na história da Copa do Brasil. Dorival Júnior possui três títulos da Copa do Brasil: Santos (2010), Flamengo (2022) e São Paulo (2023), além de seis semifinais e quatro finais.
“Esses números pra mim são muito importantes, porque eu quero aqui uma ligação com o que vem acontecendo com os profissionais da minha área, já há algum tempo, dentro do nosso país. Nós estamos sendo desrespeitados em todos os aspectos, em todos os sentidos e mais uma vez a gente finaliza um ano tendo Filipe Luís como campeão da Libertadores e do Campeonato Brasileiro e, no mínimo, um treinador brasileiro nas finais de uma competição tão importante como a Copa do Brasil. Eu prefiro chamar a atenção para esse lado, que nos respeitem um pouco mais. Que os treinadores sejam um pouco mais observados, avaliados, analisados, porque nós temos qualidade, capacidade – os profissionais que aqui estão.”
“Eu não quero aqui fazer comparação em sentido nenhum, não é isso que eu estou falando. Tenho máximo respeito por todos os profissionais de fora que aqui estão no nosso país. Acho essa integração muito importante, mas eu espero o respeito um pouco maior da imprensa brasileira de modo geral. Aqui eu não falo para A,B,C, não tenho atrito com ninguém. Mas, há um processo de desrespeito muito grande a todos os profissionais da minha área. Isso é lamentável, porque nós estamos perdendo muitos profissionais e muitos deles estão ficando pelo caminho desnecessariamente. São pessoas que estão se preparando, lutando, buscando espaço. Eu espero que nós voltemos a acreditar um pouco mais no profissional brasileiro”, finalizou.
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