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Goleira do Corinthians critica calendário do futebol feminino e fala sobre saúde mental ao citar 2021

13/12/2025 Por Fabio Luigi
  • Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

Nos últimos dias, a goleira Kemelli, do Corinthians, concedeu entrevista ao programa Compartilha Cast e foi questionada sobre diversas pautas, sendo uma delas o calendário do futebol feminino que, muitas vezes, expõe as atletas em jogos realizados em horários de calor extremo, o que acaba afetando o desempenho das jogadoras em campo.

Neste domingo (14), por exemplo, o Corinthians enfrentará o Palmeiras, no Estádio do Canindé, pela partida de volta da final do Paulistão Feminino. O Derby começará às 10h (de Brasília). A arqueira afirmou que as atletas vem lutando por melhores condições para a realização das partidas. O clássico de ida, por exemplo, no último fim de semana, ocorreu na Arena Barueri.

Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

A gente briga muito por isso, né? Porque teve uma época, talvez quem acompanha mais tempo futebol vai lembrar que teve um ano, eu não lembro o ano exatamente, mas que o masculino jogava às vezes alguns jogos às 11 da manhã. Foi uma repercussão mundial, que é proibido”, iniciou.

Posteriormente, citou como exemplo o futebol masculino que, nos últimos anos, tiveram partidas realizadas às 11h da manhã, algo que gerou grande repercussão, diferentemente do que ocorre no futebol feminino. Kemelli também cita a responsabilidade das detentoras dos direitos de transmissão nessa situação.

“Nosso jogo da final agora domingo foi às 11 da manhã, no campo sintético, varando 40 graus. Nosso jogo domingo agora vai ser às 10 horas da manhã, no calor, tipo 40 graus. Então a gente joga isso; a gente joga às 3h da tarde, 11h da manhã. Então é complicado, é bem complicado. A gente tenta lutar, a gente tenta ir até na mídia, mas, infelizmente, a gente ainda está nas mãos de emissoras que querem colocar a gente em qualquer grade, qualquer horário. E não pensam também no ser humano, na saúde, entendeu? Porque é difícil, é um momento que às vezes você quer correr e você não consegue porque o sol está acabando”, continuou.

Ela ainda acrescenta que, dependendo do horário, o público/audiência das partidas costuma ser baixo, prejudicando a valorização da modalidade no Brasil: “Isso acaba com o produto também, porque aí o futebol vai ficar mais lento, porque a gente vai se cansar mais. A gente tem mais chances de ter uma lesão porque o nosso corpo vai ao extremo muito mais. Então, são detalhes que poderiam melhorar o produto. Também a visibilidade de quem está assistindo, porque muitas pessoas, às 3h da tarde numa quarta, estão trabalhando. Quem vai assistir? Ninguém. Mas se você colocar lá às 19h, às 20h, pô, vai ter público. Então, é olhar com um pouco mais de carinho também, mas é uma luta que é diária”, complementa.

Logo depois, Kemelli relembrou sua chegada ao Corinthians em abril de 2021. Durante sua fala, comentou sobre saber lidar com a questão emocional ao estar em cum clube da dimensão do Alvinegro. Naquela temporada, as Brabas conquistaram o Campeonato Brasileiro, Paulista e Conmebol Libertadores.

Eu até brinco que, quando eu vim para cá, a gente fica mal-acostumada a vencer. Mas é um time que tem uma identidade vencedora. Teve um projeto apoiado muito cedo. Hoje tem outros clubes que batem de frente, que estão apoiando, mas o Corinthians se tornou um time vencedor por conta disso, de ter apoiado e colocado a cara a tapa muito antes do que outros clubes. E, para mim, foi um choque. Vou ser bem sincera.

“E, quando eu fui contratada, eu vim para ser reserva, para começar a criar casca e, futuramente, virar titular. Mas, por fatalidade da goleira que estava, ela se lesionou e eu tive que assumir. Foi bem punk, foi um ano de muita terapia, de muito treino, de muita concentração. Mas, assim, foi muito gratificante. A gente foi campeã de tudo naquele ano e foi a primeira vez que eu fui campeã brasileira”, afirmou.

Ela aproveitou para relembrar os títulos daquele ano: Foi o ano de primeiras vezes. Primeira vez campeã da Libertadores. Primeira vez jogando uma Libertadores, podendo atuar e ter o carinho da torcida também foi incrível, ter a minha família ali, então é indescritível. Eu sei que já venci muitos, mas o primeiro sempre vai ser muito especial. E é buscar o próximo. É sempre buscar o próximo. A gente vence e comemora. No dia seguinte, a gente está trabalhando para seguir vencendo sempre, porque é muito bom. E quando a gente perde, obviamente é triste. Então, a gente já sabe como é vencer e perder. Então, é melhor vencer, né?”

Por fim, detalhou sobre a importância da terapia ao longo dos últimos anos, principalmente em 2021, quando chega ao Corinthians, onde passa a ter mais visibilidade na modalidade e, ao mesmo tempo, convivendo com uma pressão considerável por defender o maior projeto de futebol feminino do país.

Eu falo que a terapia me salvou, principalmente em 2021, que foi onde eu tomei o baque da realidade do futebol, de estar em um clube grande, de ter uma visibilidade enorme, uma torcida te cobrando, você tendo que ter resultados, porque o Corinthians sempre foi um time vencedor. Então, quando você chega, você tem que vencer. Então, a terapia me salvou, porque a gente precisa, não só nós atletas, mas eu digo para qualquer pessoa. Então, o meu conselho é: faça terapia, o autoconhecimento te leva a lugares extraordinários. E nada melhor do que você se autoconhecer para entender que muitas vezes a gente mesmo se sabota na nossa vida.”

Ao falar sobre questões psicológicas citou o exemplo de Neymar, que vem passando por lesões constantes nas últimas temporadas e tendo dificuldades em ter sequência de jogos. Mesmo assim, o camisa 10 foi importante para livrar o Santos do rebaixamento para a Série B em 2025.

“Então, quando eu aprendi isso, foi assim: parece que eu tirei a venda dos meus olhos e me transformei como atleta e como pessoa. A gente vê grandes atletas, né? O próprio Neymar, agora, recentemente, no último jogo, falou: ‘eu tive que recorrer à terapia porque eu não estava aguentando a pressão’. Então, você vê que um atleta que tem muita visibilidade, o que ele faz, a mídia está em cima. Então, você imagina como é a mente dessa pessoa. Mas não só para nós, em evidência. Como eu falei, autoconhecimento te leva a lugares extraordinários e te faz rever muita coisa da sua própria vida”, finalizou.

Ao todo, Kemelli possui 57 partidas com a camisa do Corinthians (56 como titular), sendo 49 vitórias, cinco empates e apenas três derrotas – quase 90% de aproveitamento. No total, são nove títulos conquistados entre Supercopa, Brasileirão, Campeonato Paulista e Conmebol Libertadores.

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