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Voto do FT: compare as propostas recebidas pela comissão de reforma do estatuto do Corinthians

03/12/2025 Por admin
  • Por Daniel Keppler / Redação da Central do Timão

Na próxima sexta-feira (5), a sala de imprensa da Neo Química Arena receberá a segunda Audiência Pública marcada para debater o anteprojeto da reforma do estatuto do Corinthians. A reunião, agendada para as 18h (de Brasília), será dedicada a deliberar sobre o artigo 21 do texto, que delibera sobre a possibilidade de o sócio do programa Fiel Torcedor (FT) adquirir direito de voto nas assembleias gerais do clube.

Originalmente, o documento apresentado pela comissão em 28 de outubro apresentava três propostas de redação para o artigo, sendo uma mantendo o veto ao direito de voto, como determina o estatuto atualmente vigente no Alvinegro, e duas outras concedendo tal direito, em diferentes condições. No entanto, após debates e sugestões de emendas, houve uma reformulação destas duas sugestões, unificando-as em um único texto.

Na proposta atualizada, o sócio do FT terá direito a voto após permanecer quatro anos adimplente ao programa. Além disso, deverá também arcar com um valor equivalente a 1/3 da mensalidade paga pelos associados patrimoniais individuais, mantendo adimplência também por quatro anos. O texto prevê, ainda, que o pagamento desta taxa não daria direito a acessar o clube social, e o direito de voto seria limitado aos cargos de presidente e vice-presidentes. Ou seja, não seria possível votar nos conselheiros.

O anteprojeto também regulamenta a relação com as organizadas, determinando que a diretoria elabore normas, a serem aprovadas pelo Conselho Deliberativo (CD), para disciplinar a compra de ingressos, garantir a adimplência no FT e assegurar tratamento igualitário entre os membros do programa. Por fim, prevê a criação de uma modalidade especial no FT para torcedores de outros estados, com critérios próprios, prioridade para jogos próximos à sua cidade e reserva de uma cota de ingressos para partidas em casa e fora.

Este conjunto de ideias foi redigido pela comissão de reforma após o recebimento de diversas propostas por parte de grupos políticos do Parque São Jorge, além de coletivos de associados e torcedores e também das torcidas organizadas do Corinthians. Mas quais foram estas propostas, de fato, e o que a comissão aproveitou de cada ideia recebida? É para responder estas perguntas que a Central do Timão levantou a íntegra das ideias entregues ao clube, que serão resumidas a partir de agora.

Quem não fez propostas?

Alguns grupos enviaram sugestões de mudanças no estatuto corinthiano, mas não incluíram nenhuma ideia de alteração do artigo 21. Foi o caso, por exemplo, das duas propostas enviadas por associados e conselheiros em conjunto, assinadas por 40 e 190 pessoas respectivamente.

Também foi o caso dos documentos enviados pelas chapas Paixão Corinthiana (55), Renovação & Transparência (10), São Jorge (77), Tradição Corinthiana (15), Fiéis Mosqueteiros (11) e do coletivo DELAS, que enviou ideias focadas nos direitos das mulheres dentro do clube.

Liberdade Corinthiana (Chapa 21)

Esta chapa propôs a criação da categoria Fiel Torcedor (Sócio do Futebol), que, após um período de carência de quatro anos, receberia direito a voto para os cargos de Presidente, 1º e 2º Vice-Presidentes da diretoria. O valor da mensalidade seria equivalente a 1/3 da contribuição de um sócio patrimonial, com a determinação de que 25% da arrecadação seja destinada ao Parque São Jorge.

A proposta estabelece, contudo, que detentores dessa categoria não poderão frequentar as dependências sociais do clube. Após os quatro anos iniciais, ficaria aberta a possibilidade de migração para o quadro social tradicional.

Movimento Corinthians Grande (Chapa 82)

O grupo apresentou uma proposta que estabelece regras abrangentes para a figura do Associado de Futebol. Segundo a minuta, esse associado não teria direito a frequentar a sede social. A aquisição do direito a voto estaria condicionada a um período prévio de três anos de contribuição, e a categoria ficaria excluída da participação nos poderes internos do clube. O valor da contribuição mensal seria equivalente a, no máximo, 50% da mensalidade de um associado patrimonial.

União dos Vitalícios

Este grupo propôs a criação da categoria Eleitor Torcedor (Sócio do Futebol). Esse novo vínculo concederia direito a voto para Presidente, 1º e 2º Vice-Presidentes após um período de carência de cinco anos. Já a contribuição mensal teria valor equivalente a 2/3 da contribuição de um associado patrimonial, sendo que 50% deste valor seria destinado ao Parque São Jorge, para melhorias no clube social e investimento nos esportes olímpicos.

Além disso, a proposta vedaria o acesso dessa categoria às dependências sociais do clube. Após três anos de adimplência, por fim, o Eleitor Torcedor poderia solicitar a migração para o quadro social geral, passando a ter os mesmos direitos de um associado patrimonial.

Preto no Branco (Chapa 22)

Esta chapa defendeu a criação da categoria Fiel Torcedor (Sócio de Futebol), que concederia direito a voto apenas para o cargo de Presidente, excluindo-se a votação para 1º e 2º Vice-Presidentes, com carência de cinco anos para usufruir desse direito – que não incluiria o acesso ao clube social. Seria necessário adquirir um título, cujo valor seria de pelo menos 50% do atual título patrimonial. A contribuição mensal também seria fixada em pelo menos 50% da contribuição do associado patrimonial.

Salve o Corinthians (Chapa 30)

A proposta apresentada apenas defendeu a criação da categoria Fiel Torcedor (Sócio de Futebol), que teria direito a voto apenas nas eleições para Presidente da diretoria, explicitamente excluindo a votação para os cargos de 1º e 2º Vice-Presidentes.

Arquibancada 85

O movimento de propôs a criação da categoria Fiel Torcedor (Sócio do Futebol), que concederia direito a voto para Presidente, 1º e 2º Vice-Presidentes após um período de carência de quatro anos. A contribuição mensal teria um valor equivalente a 15% da cota de um sócio patrimonial.

Além disso, a proposta também defendeu o não-acesso dessa categoria às dependências sociais do clube. Incluiu, ainda, uma cláusula transitória, determinando que participantes do programa Fiel Torcedor que atualmente tenham mais de quatro anos de contribuição contínua teriam direito a voto já nas eleições de 2026.

Torcidas Organizadas

A proposta das organizadas (Gaviões da Fiel, Camisa 12, Estopim da Fiel, Pavilhão 9, Fiel Macabra e Coringão Chopp) incluiu a criação da categoria Sócio Torcedor (Sócio do Futebol), concedendo direito a voto para Presidente, 1º e 2º Vice-Presidentes após um período de carência de três anos.

Também consta, na sugestão, o veto ao acesso dessa categoria ao clube social, assim como uma cláusula transitória pela quais os participantes do programa Fiel Torcedor que atualmente tenham mais de três anos de contribuição contínua já teriam direito a participar da próxima Assembleia Geral, em 2026.

Coletivo Voz Corinthiana

O movimento propôs a criação da categoria Associado de Futebol (Sócio do Futebol), com direito a voto apenas para o Presidente e Vice-Presidentes. A carência sugerida também seria de três anos, e direciona 100% do valor arrecadado pela nova categoria para o Departamento de Futebol.

Além disso, a proposta do grupo também incluiu uma cláusula transitória, a fim de garantir que participantes do FT adimplentes há mais de três anos continuamente tenham direito a participar da próxima Assembleia Geral, em 2026.

Diretoria de Expansão, Inovação e Negócios

Por fim, a proposta da pasta comandada por Herói Vicente sugeriu a criação da categoria Fiel Eleitor, que obteria direito a voto tanto para a Diretoria quanto para o CD após dois anos de contribuição, arcando com uma mensalidade de manutenção fixada em R$ 39 – um investimento total, portanto, de R$ 936. Esta modalidade não daria acesso ao clube social e permitiria o voto a partir das eleições de 2029/30. Do total arrecadado, 10% seria destinado ao clube social.

A proposta também possui uma disposição transitória, visando permitir o voto imediato já nas eleições de 2026, a partir do pagamento de uma “Taxa de Adesão Especial” com R$ 2546 como valor de referência, originário de uma contribuição projetada a partir do pagamento do título (R$ 2 mil, pagos em dez vezes) mais 14 mensalidades de R$ 39, perfazendo os 24 meses de carência citados anteriormente.

A cobrança desta taxa, no entanto, seria proporcional e individualizada, variando conforme o tempo de contribuição de cada sócio do FT e isentando todos aqueles com pelo menos 48 meses (quatro anos) de adimplência ao programa. Haveria ainda uma regra de flexibilidade, onde atrasos inferiores a 90 dias não zerariam a contagem de tempo.

Já os demais arcariam com a taxa, cujo valor seria proporcional ao número de meses faltantes para completar os mesmos quatro anos de contribuição daqueles que foram isentos. Cada mês pendente exigiria o pagamento de 1/48 do valor cheio (R$ 53,04). Desta forma, um membro do FT há três anos e meio, por exemplo, votaria em 2026 após pagar R$ 318,24.

Esta disposição transitória, no entanto, possui uma trava de segurança, entrando em vigor somente se houver adesão de pelo menos 75 mil torcedores até 10 de maio de 2026. Se a meta não for atingida no prazo, as reservas feitas pelos torcedores para antecipar o direito de voto seriam canceladas e apenas o modelo original de adesão seria mantido.

E agora?

Na audiência desta sexta-feira, todos estes grupos poderão reforçar os argumentos a favor de suas propostas, ainda que não tenham sido acolhidas pela comissão de reforma do estatuto, no todo ou em parte. Também haverá a possibilidade de novas ideias serem propostas, caso algum outro grupo político, coletivo ou associado independente se inscreva para falar no encontro.

Após as deliberações, a comissão eleitoral irá reunir as manifestações que serão feitas, condensar os pontos de consenso obtidos com os debates e, eventualmente, elaborar ajustes no texto do artigo 21 presente no anteprojeto. Esta dinâmica, por sinal, ocorrerá após cada uma das audiências, até fevereiro de 2026, mês previsto para o técnico das discussões e elaboração do projeto final de estatuto.

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