Conselho do Corinthians suspende votação do Estatuto e abre calendário de audiências públicas
- Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
Na noite desta segunda-feira (24), o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians se reuniu no Teatro do Parque São Jorge para dar continuidade ao processo de reforma do estatuto, mas a reunião não avançou para a votação definitiva. Os conselheiros também não deliberaram sobre o anteprojeto nem sobre as emendas apresentadas desde a divulgação da proposta, no mês passado.
A expectativa era de que o plenário votasse o texto nesta segunda-feira, mas divergências entre os grupos políticos do clube levaram à redefinição do rito, e a sessão foi suspensa para que os debates prossigam nos próximos meses. Nas últimas semanas, parte dos conselheiros e o Conselho de Orientação (Cori) apresentaram críticas tanto ao conteúdo do anteprojeto quanto à condução do processo pela presidência do CD.

O próprio Cori chegou a emitir uma nota oficial na semana passada pedindo o cancelamento da reunião, a fim de que fossem “procedidas análises cuidadosas dos procedimentos adotados e do conteúdo das alterações propostas em relação a legislação vigente”. Um requerimento com o mesmo objetivo, formulado por um grupo de conselheiros trienais e vitalícios, também foi encaminhado ao presidente do CD Romeu Tuma Júnior.
Por sua vez, a Comissão de Reforma do Estatuto propôs um roteiro para discussão e votação do anteprojeto, prevendo a ampliação do debate com a participação de conselheiros, órgãos internos e demais interessados, por meio de reuniões sucessivas e, se necessário, audiências públicas, para aprimorar o texto. O plenário foi então chamado a se manifestar sobre a sugestão da comissão, e a proposta foi aprovada por unanimidade.
A intenção é aprofundar a discussão de todo o anteprojeto, que trata de temas como o direito de voto ao Fiel Torcedor, regras para eventual instituição de uma SAF, adequação à Lei Geral do Esporte, profissionalização da diretoria com a inclusão de um CEO, implantação de um plano de cargos e salários, criação de um portal da transparência e mudanças no modelo eleitoral e na composição dos órgãos fiscalizadores do clube.
A reunião suspensa deverá ser retomada em dezembro, ainda dentro do mesmo processo deliberativo, como prevê o estatuto vigente. A prática já foi adotada anteriormente, inclusive durante o processo de impeachment do ex-presidente Augusto Melo, quando o CD manteve a sessão de votação permanentemente aberta.
Calendário definido e implicação eleitoral
Após a suspensão da reunião, os conselheiros definiram o calendário das audiências públicas, que poderão contar com a participação de associados e especialistas interessados. Os encontros ocorrerão nos dias 1º, 4, 8 e 16 de dezembro, ainda em 2025, com retomada em 21, 26 e 29 de janeiro, além de 2, 4 e 9 de fevereiro de 2026. A presença não será obrigatória, e cada sessão registrará os pontos de consenso.
Concluído o ciclo de debates temáticos, a votação final do anteprojeto pelo Conselho está prevista para fevereiro de 2026, após o Carnaval. Uma vez aprovado, o texto seguirá para apreciação em assembleia geral dos associados. Inicialmente convocada para 20 de dezembro, a AGE foi cancelada e remarcada para março de 2026, em data ainda a definir.
Nesse contexto, a reforma poderá incluir uma disposição transitória que assegure a aplicação das mudanças já no próximo pleito, uma vez que a atualização estatutária precisaria ser aprovada ainda em 2025 para produzir efeitos nas eleições de 2026. Entretanto, é possível que uma das propostas mais sensíveis, o direito de voto do Fiel Torcedor, só passe a valer a partir de 2030.
O voto do FT, a propósito, foi um dos pontos de maior mobilização política ao longo do processo. A própria Comissão de Reforma apresentou uma emenda propondo que membros do programa possam votar mediante o pagamento de 30% do valor da mensalidade social, sem necessidade de aquisição de título patrimonial.
Próximos passos
Com diversos pontos em discussão, o desfecho da reforma estatutária dependerá do andamento das audiências públicas e das próximas sessões do Conselho Deliberativo. O processo pode conduzir à aprovação integral ou parcial do texto, a alterações substanciais ou até a eventual judicialização, e terá repercussões diretas na governança e no modelo de gestão do Corinthians nos próximos anos.
O estatuto em vigor, aprovado em 2008, não passou por revisões abrangentes desde então. Antes da suspensão da reunião desta noite, o Conselho ainda votou e aprovou a necessidade de alteração estatutária.
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