Dorival Júnior avalia derrota do Corinthians, fala sobre ausência de Memphis Depay e demonstra confiança em Garro
- Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão
O Corinthians visitou o Cruzeiro na noite deste domingo (23), no Estádio do Mineirão, em partida válida pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro, e acabou sendo derrotado pelo placar de 3 x 0. O resultado dolorido manteve a equipe corinthiana apenas na décima colocação com 45 pontos (12 vitórias, nove empates e 13 derrotas – 38 gols marcados e 42 sofridos).
O técnico Dorival Júnior concedeu entrevista coletiva após o jogo e foi questionado sobre a ausência do atacante Memphis Depay, que não viajou para Minas Gerais por ter sofrido uma entorse no joelho esquerdo no clássico contra o São Paulo, em Itaquera, na última quinta (20), sendo vetado pelo departamento médico do clube. O treinador também fez uma avaliação do jogo e ressaltou que o Cruzeiro foi superior em todos os momentos.

“Não, não estaria não (se Mmemphis Depay estaria disponível se a partida de hoje fosse válida pela semifinal da Copa do Brasil). Ele foi vetado pelo departamento médico. Infelizmente aconteceu e nós temos que entender, até pelos exames, tudo foi constatado. Uma análise da partida: o Cruzeiro mereceu o resultado do primeiro ao último minuto. Fez uma partida segura, equilibrada, dentro das suas condições, criou e numa noite em que mais uma vez nós não encontramos os nossos caminhos. Não tivemos posse de bola, tivemos ela em poucos momentos da partida e passamos por séries de dificuldades ao longo de todo o período”, iniciou.
Em seguida, foi questionado sobre o desempenho da equipe em uma partida contra o adversário que será o mesmo da semifinal da Copa do Brasil nos dias 10 (quarta-feira) e 14 de dezembro (quinta-feira). O primeiro jogo será no Mineirão e o segundo, por sua vez, na Neo Química Arena. Dorival entende que o jogo do mata-mata envolve outro contexto: “É uma outra situação, um outro momento e todos nós vamos ter que avaliar muito tudo aquilo que tem acontecido aqui hoje. Eu tenho certeza que o torcedor confia na sua equipe. E o cenário será outro com certeza. Vamos aguardar. Aí você me cobra depois das duas partidas.”, complementou.
Posteriormente, foi questionado sobre a segunda expulsão do volante José Martínez em 18 dias. Na partida de hoje, na qual entrou na metade da segunda etapa, o venezuelano deu um tapa nas costas do meia Matheus Pereira e foi expulso após revisão no VAR por parte do árbitro Alex Gomes Stefano.
O camisa 70 também havia sido expulso pela árbitra Edna Alves Batista na derrota pelo placar de 2 x 1 diante do RB Bragantino, no último dia 5 de novembro, no Estádio Cícero de Souza Marques, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, antes de uma cobrança de escanteio, deu um empurrão, dentro da área, no zagueiro Gustavo Marques, do time de Bragança Paulista.
“Chama atenção. Uma jogada isolada, muito difícil de você imaginar o que possa acontecer com um atleta num momento como esse, até porque foi uma jogada simples, não teve uma disputa. Ao contrário, ele chegou logo na sequência da jogada, então é muito difícil fazer uma avaliação de fora da maneira como nós estávamos ali observando.”
Dorival Júnior também comentou sobre as últimas atuações do meia Rodrigo Garro. Nesta temporada, o camisa 8 vem sofrendo com problemas físicos. Entre março e maio ficou fora dos gramados se recuperando de uma tendinopatia no joelho direito e, em setembro, sofreu uma contusão grau 2 na panturrilha. Em 2025, são dois gols marcados e nove assistências em 33 jogos.
O comandante corinthiano confia na recuperação do jogador quando foi perguntando se Breno Bidon poderia assumir a vaga do argentino visando as partidas das semifinais da Copa do Brasil, diante do Cruzeiro. Antes dos jogos citados, o Corinthians ainda terá três jogos pelo Brasilerião: Botafogo (C), Fortaleza (F) e Juventude (C).
“Eu confio na recuperação de todos os atletas, quero tê-los em melhores condições, só vão atingir as suas melhores condições naturalmente atuando. Um jogador desse nível (do Rodrigo Garro)a gente não pode descartar, tudo vai depender daquilo que veremos aí nos próximos três jogos do Campeonato Brasileiro.”
“E, em sequência fazemos as melhores opções para os jogos decisivos da Copa do Brasil, mas é um jogador muito importante e eu espero uma recuperação rápida dele, foram várias lesões em sequência. Nós temos que entender tudo isso, mas também sabemos que estamos aí próximos a jogos fundamentais importantes, tanto os finais do Campeonato Brasileiro quanto os dois semifinais da Copa do Brasil e nós precisaremos ser os melhores jogadores em campo”, explicou.
O treinador do Corinthians também respondeu sobre a entrada do meio-campista André Carrillo exercendo a função de primeiro homem de meio-campo logo na volta do intervalo no lugar de Raniele, visto que o peruano tem pouco poder de marcação. Além disso, justificou a permanência do lateral-esquerdo Hugo Farias na segunda etapa, visto que tirou Fabrizio Angileri – dobradinha de laterais – e retomou o sistema com linha de quatro na etapa final.
“Bom, em cada momento que você tira alguém, sempre um outro é questionado. Outro dia, uma substituição, o retorno do André, Ramalho e a não presença do Thoca. Hoje a presença de um e a ausência de outro. É questão de momento. Você tem que fazer uma opção. Qual foi ali a condição? Nós não tínhamos bola. Precisávamos de um jogador com posse de bola. Quem é esse jogador? Justamente ele, (André Carrillo). Um jogador que tem condições de nos dar usar isso aí. Como nos deu, como nos entregou isso.”
Ele também explicou a entrada do jovem volante André Luiz no lugar do atacante Gui Negçao já na volta do intervalo: “Fortaleci também o setor com a presença do André, mais um jogador de meio. A opção que vinha dando certo. Os três zagueiros e a liberdade dos nossos laterais. Foi isso. Hoje não aconteceu. Essa liberdade não foi aproveitada. Em razão disso, nós não tivemos posse de bola. Não tendo posse de bola, não criamos. E o pior, nos momentos em que saíamos para uma transição, errávamos um passe por dentro e o cruzeiro é muito vertical e chegava com muita facilidade dentro do nosso campo.”
“Então, nós tivemos que alterar em razão disso que vinha acontecendo. A nossa única saída no primeiro tempo era com o Hugo. O Hugo se apresentava muito bem, até a intermediária. Nós tínhamos dificuldades de infiltrações, então eu tentei aproveitar aquilo que de melhor ele vinha fazendo na primeira etapa, mantendo o jogador para a segunda”, disse.
Por fim, foi questionado sobre as lições que o Corinthians tira desta partida visando a reta final da temporada e respondeu sobre algo que vem repercutindo entre os torcedores: o fato da equipe passar a impressão de que ‘escolhe’ quais jogos irá desempenhar um bom futebol ou não.
Ele também fez uma análise do desempenho do Corinthians fora de casa nesta atual edição de Campeonato Brasileiro. Restando apenas um jogo a ser cumprido, a equipe acumula quatro vitórias, cinco empates e nove derrotas. Nessas partidas, aparecem derrotas doloridas como um 4 x 0 para o Flamengo, 3 x 1 diante do Santos, 1 x 0 contra o Sport (rebaixado) e 2 x 1 enfrentando o Mirassol.
“Eu acho que envergonhada não (a torcida), porque não faltou luta, não faltou entrega, nós estamos encontrando dificuldades, e tivemos dificuldades fora de casa com equipes menores, assim como também com equipes maiores. Em muitos momentos fizemos partidas muito boas, muito bem equilibradas, sendo que o resultado não tem acontecido. Então uma situação puxou a outra, e realmente nós fomos muito irregulares ao longo do campeonato.”
“Impressionante como nós deixamos escapar pontos importantes em muitos momentos, atuando bem ou não. Fizemos boas atuações também, mas não fomos felizes nos resultados, o que tem nos tirado naturalmente a tranquilidade e a razão de uma oscilação muito grande de uma partida para outra. É impressionante, mas acontece. Mudam-se nomes, mudam-se características, mudam-se. Sistemas, muda-se posições, enfim, uma série de fatores e nós fomos buscando o melhor.“
Ele finaliza: “Muitas lições e temos que interpretá-las de uma maneira correta e o principal. Temos uma atitude de uma equipe que queira realmente alcançar uma situação melhor num campeonato tão importante e numa fase importantíssima para que possamos ter merecimentos para buscarmos aí uma passagem.”
Contratado na reta final de abril, esta derrota foi a mais pesada de Dorival Júnior no comando do Corinthians, visto que foi a primeira vez que a equipe sofreu três gols quando esteva à beira do gramado e a primeira por três tentos de diferença. Ao todo, são 16 vitórias, nove empates e 11 derrotas – 52,7% de aproveitamento – 38 gols marcados e 31 sofridos.
O Corinthians chegou a perder um jogo sofrendo três (diante do Santos) – 3 x 1, no último dia 15 de outubro, na Vila Belmiro, pela 28ª rodada do Brasileirão. Naquele dia, porém, Dorival cumpriu suspensão e o auxiliar Lucas Silvestre foi quem comandou a equipe no clássico Alvinegro.
Agora, o Corinthians segue focado na competição nacional e terá uma semana livre de treinamentos até o próximo jogo. No domingo (30), o Alvinegro receberá o Botafogo, às 16h (de Brasília), na Neo Química Arena, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro.
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