MP-SP investiga mercado ligado a gastos em cartão corporativo do Corinthians e ouve dirigentes
- Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
O presidente interino do Corinthians Osmar Stabile e o presidente do Conselho Deliberativo Romeu Tuma Júnior prestaram depoimento ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na última quinta-feira, 14. Eles foram convocados para esclarecer a utilização e o controle dos cartões corporativos do clube, além dos procedimentos de prestação de contas da presidência.
De acordo com o MP, ambos demonstraram disposição para colaborar com a investigação, que, desde o fim de julho, apura supostos crimes de apropriação indébita, estelionato, furto qualificado, falsidade ideológica e associação criminosa envolvendo ex-presidentes do clube e empresas possivelmente ligadas a essas gestões.

Nos últimos dias, as investigações também passaram a mirar o Oliveira Minimercado, suspeito de ser uma empresa de fachada. De acordo com o ge.globo, entre 18 e 31 de outubro de 2023, o estabelecimento emitiu sete notas fiscais ao Corinthians, totalizando R$ 32.580. No entanto, o endereço cadastrado é o de uma residência, e os moradores afirmam que nunca houve comércio no local.
O MP-SP pretende intimar Alexsander Marques Canudo, sócio da empresa em 2023, e Geovana Batista de Oliveira, que assumiu o negócio posteriormente. Ambos são investigados, mas ainda não foram localizados, e há suspeita de que também estejam ligados a outras empresas de fachada. No mesmo endereço, inclusive, está registrada uma associação cultural, que também passou a ser alvo da investigação.
Procurado pelo ge.globo, Alexsander Marques Canudo negou as acusações: “A empresa funcionava, sim, no endereço informado, com atividades relacionadas à produção e venda de marmitex. Pode ser que, atualmente, não haja movimentação visível, mas na época das emissões, as operações ocorriam normalmente. Sobre as notas fiscais sequenciais, isso pode ocorrer com empresas que têm poucos clientes fixos ou contratos específicos, como era o nosso caso. A prestação de serviço ao Corinthians foi real e devidamente executada.”
Origem da investigação
O caso começou em 30 de julho, quando o MP-SP abriu um procedimento investigatório criminal para apurar o uso irregular do cartão corporativo durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez (2018-2020) e Duilio Monteiro Alves (2021-2023).
Dias depois, o órgão passou a investigar também o relatório de despesas da presidência de outubro de 2023, revelado pelo ge. O documento foi assinado por Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, que agora é investigado e deve prestar depoimento em breve.
Na semana passada, a apuração foi ampliada para incluir as faturas dos cartões corporativos emitidas durante a gestão do presidente destituído Augusto Melo, de janeiro de 2024 a maio de 2025.
O promotor responsável pelo caso Cássio Roberto Conserino já ouviu o gerente financeiro do clube Roberto Gavioli e solicitou documentos adicionais ao Corinthians e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.
A investigação começou após denúncias feitas por torcedores, com base em faturas vazadas por uma conta paródia na rede social X. Um dos documentos foi confirmado como verdadeiro por Andrés Sanchez, que declarou ter reembolsado o clube pelo gasto irregular.
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