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Grupo City paga multa e Corinthians perde joia da base para Bahia; clube estuda denunciar negociação

14/08/2025 Por admin
  • Por Daniel Keppler e Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

A torcida do Corinthians foi surpreendida na manhã desta quinta-feira, 14, com a notícia da saída de uma das maiores joias das categorias de base: o atacante Kauê Furquim, de 16 anos. O atleta teve sua multa rescisória nacional, no valor de R$ 14 milhões, depositada pelo Bahia, que faz parte do City Football Group (CFG), rede multiclubes cujo principal acionista é o sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, através do Abu Dhabi United Group.

A baixa multa nacional da promessa foi definida a partir da assinatura de seu primeiro contrato profissional com o Corinthians, em abril, ainda durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo, afinal a legislação brasileira define este montante em 2 mil vezes o valor do salário do atleta, fixado em R$ 7 mil. Já para o exterior, a multa havia sido fixada em 50 milhões de euros (R$ 331 milhões na cotação da época).

Kauê Furquim vinha se destacando no Terrão corinthiano, subindo à categoria Sub-20 quando ainda tinha apenas 15 anos. Neste ano, chamou a atenção da comissão técnica do profissional, e dois meses após assinar seu primeiro contrato, foi relacionado pelo técnico Dorival Júnior para a partida diante do Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, fato que ganhou notoriedade nacional.

Durante a intertemporada de julho, devido à pausa no calendário para o Mundial de Clubes da FIFA, o jovem seguiu treinando com os profissionais. Segundo apurado pela Central do Timão, a diretoria interina começou a ser pressionada pelo staff de Furquim por uma valorização, através de uma renovação de contrato com aumento salarial, recebendo um aceno positivo para o início das conversas.

Inicialmente, o staff havia garantido que não havia qualquer oferta ou sondagem de clubes do exterior por Kauê. No entanto, semanas depois, o clube soube informalmente do interesse tanto do CFG quanto da Red Bull, que também administra uma rede multiclubes, presente no Brasil por meio do Red Bull Bragantino. Ainda assim, o clube confiava na manutenção do jovem, apoiado em uma promessa de seu staff que a prioridade seria mantê-lo no Parque São Jorge, por meio da renovação de contrato.

Segundo informação do jornalista Luís Fabiani, da Rádio Bandeirantes, a proposta de renovação foi enviada pelo Corinthians nesta quarta-feira, 13, e o clube esperava Kauê Furquim normalmente nesta quinta-feira no CT para treinar com o time Sub-17, o que não aconteceu. O fato, aliado ao pagamento súbito da multa por parte do Bahia, causou desconforto entre os dirigentes corinthianos, por entenderem que o staff do jovem agiu pelas costas do Alvinegro.

Além disso, o clube estuda a possibilidade de denunciar o Bahia por aliciamento do atacante. Embora a situação seja muito recente e, por isso, as estratégias de questionamento à transação não terem sido plenamente definidas pelo departamento jurídico, a Central do Timão apurou que duas legislações estão sendo consideradas para embasar a acusação:

FIFA – RSTP / 2025: o Regulations on the Status and Transfer of Players (Regulamento sobre o Status e Transferência de Jogadores em português) é um documento da FIFA que afirma, em seu artigo 18, que um clube que deseja contratar um jogador vinculado a outro clube é obrigado a informar o clube atual do atleta por escrito antes de iniciar as negociações, com a exceção para os casos onde este contrato estiver a 6 meses de expirar (não era o caso de Furquim). O Corinthians alega não ter sido comunicado previamente.

CBF – RNRTAF / 2025: o Regulamento Nacional de Registros e Transferências de Atletas de Futebol é um documento da CBF que no seu artigo 25 espelha a norma do FIFA-RTSP citada acima e, em seu artigo 28, prevê punição a qualquer clube que atuar para induzir uma quebra de contrato a fim de facilitar uma contratação. Tal punição ocorreria via Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).

Há, ainda, a compreensão de que a Lei Geral do Esporte (LGE – 14.597/2023) regula os termos da rescisão em si, pois em seu artigo 86 limita a multa rescisória nacional em 2 mil vezes o salário médio de um atleta. No entanto, na interpretação das fontes ouvidas pela redação, a rescisão contratual nestes termos não “cura” possíveis irregularidades cometidas ao supostamente negociar com o jogador sem ciência do Corinthians.

Uma das possibilidade de recurso é acionar o Bahia na CBF, acusando o clube de ter aliciado o atacante e exigindo compensação pela negociação irregular. Outra, ainda, é buscar meios de receber o valor da multa estrangeira, ou seja, 50 milhões de euros, alegando que o comprador real é na verdade o City Football Group, entidade estrangeira, que teria usado seu clube no Brasil para burlar as normas de transferência.

A Central do Timão entrou em contato com a equipe de comunicação do Bahia, questionando se o clube realizou negociações diretamente com Kauê Furquim e se, neste caso, comunicou previamente o Corinthians por escrito. Em resposta, a equipe de comunicação informou que não se manifestaria.

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