Denúncias, estatuto, ingressos, impeachment e Flamengo: as respostas de Romeu Tuma Júnior em coletiva
- Por Daniel Keppler / Redação da Central do Timão
Na tarde desta sexta-feira, 1º de agosto, o presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians Romeu Tuma Júnior concedeu entrevista coletiva no Parque São Jorge. Ele respondeu a diversas perguntas sobre temas importantes que vem sendo debatidos internamente e também entre a torcida, como o caso dos cartões corporativos e a reforma do estatuto alvinegro.
A coletiva teve início com um pronunciamento do conselheiro, que durou cerca de 30 minutos. Na fala, Tuma defendeu ações do órgão que dirige, afirmando que o Corinthians vem investigando internamente as denúncias de gastos irregulares promovidos em gestões passadas. Além disso, disse que a reforma estatutária é sua “prioridade número um” e também prestou contas sobre a Assembleia Geral do próximo dia 9, que irá deliberar sobre a possível cassação definitiva de Augusto Melo como presidente.

Confira a seguir as principais respostas dadas durante a coletiva:
Por que não fez BO sobre os cartões corporativos?
“Não compete ao Conselho Deliberativo fazer. Por que vou fazer B.O. de apropriação indébita? O Andrés mandou ofício para mim, disse que tinha uma despesa no nome dele e que não foi avisado. Ele chegou e pagou. Poderia se esconder. Isso é confissão? Não sei se é. Não sei se é apropriação indébita. Não estou defendendo, mas estou dizendo que não é caso do Conselho Deliberativo fazer B.O. Não sei se o crime está configurado, quem vai dizer se está configurado é o Ministério Público.
E o Corinthians?
“O clube está fazendo isso para avaliar se vale ou não fazer o B.O. O doutor Pantaleão tem sido importante, sabe o que está fazendo, está apurando. Não podemos assassinar a reputação das pessoas. (…) Não me cobraram para caramba no caso do Augusto de esperar inquérito? Como vamos ter um presidente réu com o clube como assistente de acusação? Como isso? O Corinthians não apura crime, apura infração estatutária.”
Distribuição dos ingressos na Neo Química Arena
“A gente tinha um absurdo de distribuição de ingressos de forma equivocada, irregular e até ilegal… 8.200 ingressos nós detectamos que a distribuição era irregular. É um trabalho da comissão e do departamento de tecnologia. Tudo fora do sistema do Fiel Torcedor. No jogo contra o Palmeiras, foram cortadas 1.040 cortesias. Ingressos que tinham sido excluídos do Fiel Torcedor: quase quatro mil ingressos. Outros ingressos de várias áreas: 2.500. Fiel Zone a mais, fora do contrato: 300. Distribuição de ingressos em camarotes sem contratos: 500. Tudo fora do sistema, sem receber. Certamente, grande parte disso é para cambismo. A grosso modo, o Corinthians deixava de arrecadar R$ 1 milhão por jogo.”
Suspeitas de cambismo
“A gente supõe que tinha uma rede de cambismo antes desse trabalho hercúleo que foi feito. Imagina com esses sete mil ingressos que estavam alimentando rede de cambismo o quanto esses caras estavam ganhando?! Nós não estamos passando a limpo? É para passar a limpo tudo. Na época do Andrés, ele deu R$ 3 milhões para a torcida, que não pagou até hoje. Quer dar benefício para alguém, não é o presidente que tem que fazer isso. Senão, vira esquema. Quer fazer as coisas? É institucionalmente. Presidente quer dar presente, facilidade, cortesia? Passa no Conselho, no CORI, no Conselho Fiscal.”
Influência da torcida na reforma do estatuto
“Não teve impacto algum. Sempre foi algo muito difícil. Quanto mais pressão faz, mais medo. Imagina quando eles (organizadas) tiverem poder de decisão. Aquela invasão que teve há um mês, quando trancaram o portão, tinha criança aqui dentro. O pessoal vem aqui, amedronta a gente e ainda vai votar? Essa pressão provoca medo. Tem prazo estatutário para tudo. Falo com bastante franqueza.”
Mais sobre reforma do estatuto
“Tem muita gente que não quer reforma. O ex-presidente, por exemplo, não fez nenhuma proposta na reforma. Procurei três vezes, mas ele nunca disse. (…) A primeira proposta escrita de colocar os torcedores do Fiel Torcedor para votar, sabe de quem foi? Dos vitalícios. Eles tiveram coragem de propor. Tem muita narrativa que não é verdade, mas tudo bem. O atraso nos serviu em algumas coisas. Temos que criar uma regra de pagamento de ressarcimento.”
Andrés Sanchez é protegido?
“O Andrés, que eu fiquei no pé 16 anos, fui na Justiça contra ele. Hoje falam que eu sou cria da Renovação e Transparência. Sabe o que tenho de similaridade com a Renovação e Transparência? As iniciais: RT. Mas ele sempre me respeitou. Eu nunca sofri com a Renovação e Transparência o que senti na gestão do Augusto Melo.”
Sobre Augusto Melo
“Eu deixei de ser candidato a presidente para unir a oposição. Se eu imaginasse que com um dia de mandato ele iria roubar o Corinthians, eu jamais desistiria da minha candidatura. E estou vendo ainda a possibilidade de ele voltar. Se ele voltar, sabe o que vai acontecer? Temos seis impeachments ainda para votar. Aí vai ser: afasta, volta, afasta, volta. Ou a gente vira a página dia 9, ou esquece, fecha isso aqui e vamos embora. Vocês deveriam apurar uma reunião que teve ontem muito grave, a pedido dele… Não vou falar mais senão não chego em casa hoje.”
Comparando os casos
“A polícia disse que o cara (Augusto) roubou, o Ministério Público pediu que ele fosse réu e a Justiça aceitou a denúncia. Quando o presidente vai devolver os R$ 40 milhões que o Ministério Público exige que ele devolva para o clube. Estamos cobrando o cara que deve R$ 10 mil (Andrés) e o cara que deve R$ 40 milhões não? O cara que construiu o estádio vai ser expulso e o cara que é sócio do Alex Cassundé é presidente?”
Necessidade do impeachment
“O Corinthians precisa virar essa página (do impeachment de Augusto Melo), precisa renascer das cinzas, precisa funcionar. Renascer das cinzas. Sabe por quê? Quero voar com águia, águia voa com águia. A gente quer ser um Flamengo, e vamos ser!”
Denúncias de notas fiscais da gestão Duilio
“Ninguém vai encobrir nada aqui, se tiver a nota lá e não existe mercado, certamente vão abrir (Boletim de Ocorrência). Pode entregar para mim que eu levo. Ficou de fora nessa apuração do Ministério Público algo que vocês do ge.globo noticiaram. Vocês noticiaram que o COAF apontou o uso de cartão do clube, ele viu movimentações atípicas no uso do cartão do Corinthians. Não vi nada sobre isso, vou levar ao Ministério Público isso. Eu não posso investigar, quando eu for para o Ministério Público, farei questão de levar essa notícia de vocês, que é grave.”
Rejeição à SAF
“Não vamos conseguir fazer um estatuto que abarque todos os problemas que temos. Tem que vir uma lei federal para proteger o clube, obrigar os dirigentes a apresentar contas. As decisões são políticas. Aqui é luta política. Não queriam reformar o estatuto para não mexer na eleição. Se não vier uma lei, não vamos conseguir mudar nada. A SAFiel tem interesses, deram dinheiro para a campanha do ex-presidente. O Corinthians não vai ser SAF. SAF é modelo de sucesso? Me fala duas aí. O Corinthians não nasceu para ser entreposto de empresário, tem sido usado, mas não nasceu para isso. Espero que o Corinthians renasça no próximo sábado.”
Veja mais:
Volante amplia sequência em campo e se consolida como talismã do Corinthians em 2025
Gringo da Favela comenta saudade do Corinthians e valoriza rivalidade do Derby
Corinthians visita Magnus Futsal em confronto importante pela LNF