Ex-colega de Coelho no Corinthians admite receio que atual momento prejudique a carreira do treinador
- Por Tatiane Vidal / Ciro Hey/ Redação Central do Timão
Filho do Terrão criticou a cultura do futebol brasileiro que não dá tempo para o técnico exercer seu trabalho
Na última segunda-feira (05), o ex-volante Bruno Octavio, bicampeão Brasileiro pelo Corinthians, esteve presente no programa “Crônicas Corinthianas” da TV Central do Timão, e falou sobre o atual momento vivido pelo clube.
Com baixo desempenho, o time comandado por Dyego Coelho ocupa a 14ª colocação no Campeonato Brasileiro e acumula somente 14 pontos até aqui. Coelho, treinador do Sub-20 do Timão, assumiu a equipe profissional do Corinthians interinamente, após a demissão do técnico Tiago Nunes.
Bruno Octavio atuou com Coelho desde as categorias de base do Corinthians e enfrentou dificuldades semelhantes em seu período no Parque São Jorge entre 2004 e 2011.

Quando questionado se a insistência com Coelho na atual circunstância poderia abreviar a carreira do interino, Bruno Octávio relembrou os casos de Márcio Bittencourt e Zé Augusto (que também foram interinos) no clube, além de criticar a cultura do futebol brasileiro de não dar tempo para os treinadores executarem seus trabalhos.
“Já vi acontecer literalmente lá no Corinthians, exatamente com Márcio Bittencourt e com Zé Augusto, os dois aconteceram do mesmo jeito. Primeiro, no Brasil não se tem a cultura de dar tempo a um treinador, você contrata qualquer um para que ele jogue cinco jogos com cinco vitorias, ou no máximo quatro vitorias e um empate. Você não dá tempo pra ele colocar a prática que ele quer. Ele não chega no clube e tem todos os jogadores que ele escolheu treinar. E ele não consegue formar o time ideal pra ele.”
“Infelizmente ou você chega na época que time vira uma chavinha, e aí não tem treino mágico que aconteça isso, ou seja com o Coelho, ou com Leão que vi que pode ser contratação, ou Sylvinho ou quem quer que seja, vai acontecer o mesmo problema. Ele não vai ter tempo, ou autonomia de trabalhar o time dele,” explicou Bruno Octávio.
“Independente de quem entre, o Thiago Nunes não teve tempo dele, o Coelho não vai ter o tempo dele, se eu tivesse que apostar o tempo dele está curto ali. Sempre foi deixado bem claro que ele vai ser o interino, não vai ser o fixo. Queimar carreira dele eu acho que não, já aconteceu com outros e eles voltaram para base e tiveram sucesso. Pode limitar? Sim.”
“O único que não teve esse problema de assumir e apagar foi Carille que vi, ele já entrou num esquema que estava dando certo, ele era da mesma filosofia que o Tite, continuou acontecendo tudo, e talvez se fosse ao invés do Carille o Coelho também teria acontecido igual. Ai ninguém contestaria o jeito de Coelho administrar o time ou não, mas é o tempo. Já estava inserido na filosofia e os jogadores já entendiam como era para jogar, estava tendo resultados com a forma de jogar. O Coelho não vai ter tempo de mostrar o trabalho dele, e eu acho que ele vai sim, ter uma limitação futura de outros times, mas queimar eu acho que não. Eu acho que ainda continua como treinador de base, no mínimo,” complementou.
Indagado, na sequência, se manteria Dyego Coelho no cargo de técnico do Corinthians, Bruno Octávio opinou:
“Se der tempo a ele sim, se não, que tire antes para que essa pergunta (se o momento atual poderia abreviar a carreira dele) não vire fato”.

Bruno Octávio chegou ao Terrão corinthiano com 13 anos, em 1998. Foi promovido ao profissional em 2004 e atuou em 107 partidas até 2011. Pelo Timão foi bicampeão Brasileiro (2004/2011), campeão Brasileiro série B (2008), campeão Paulista (2009) e campeão da Copa do Brasil (2009).
Devido a lesões, aposentou-se precocemente em 2014, aos 29 anos.
Confira, na íntegra, a entrevista de Bruno Octávio para o programa Crônicas Corinthianas comandado por Marcelino Rocha, na TV Central do Timão:
O programa “Crônicas Corinthianas” acontece em todas as segundas-feiras, às 21h, na TV Central do Timão com jogadores que fizeram história no Corinthians.