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“Goleiro e zagueiro do Palmeiras nasceram para levar gol meu”, diz ex-atacante do Corinthians

23/09/2020 Por Larissa Beppler

Torcedor do Timão e do Leão, Mirandinha conta como deixou de ser cortador de cana, do começo no Sport, dos títulos, criticou a falta de alegria no futebol e brincou com sua fama de carrasco do rival

Parceiro de Donizete no ataque implacável do Corinthians campeão Paulista de 1997, Mirandinha estará com o coração dividido na noite de hoje (23). Sport e Corinthians vão se confrontar pelo Campeonato Brasileiro, às 21:30h, na Ilha do Retiro, em Recife, e Mirandinha tem carinho especial pelos dois clubes.

Fui campeão pelos dois e amo os dois. Eles estão (em quadros) na minha parede. Fico um pouco dividido porque um é o time que me fez crescer no futebol, que me deu oportunidade e a gente tem que ser grato. E o time que me lançou para o futebol do planeta, um time que gosto e torço. Espero que seja um jogo maravilhoso e que vença o melhor. Eu acho que vai ser empate”, disse Mirandinha ao GE, nesta quarta-feira.

Antes de surgir para o futebol, Mirandinha era cortador de cana. Até receber oportunidade do Sport no final da década de 80 e não largar mais.

Eu saí de uma situação difícil. Eu cortava cana em Palmares, e o Sport me estendeu a mão. E hoje eu conheço o Brasil inteiro, tive uma carreira graças a vários times. Eu sou grato aos times que passei porque eu sempre saí pela porta da frente”. Além de Sport e Corinthians, o ex-jogador teve passagem por Ceará, Paysandu, FC Sion-SUI, Juventude e América-MG.

O ex-atacante e ídolo da Fiel relembrou quando precisou dormir na rua, embaixo da estátua de um leão que fica na entrada da sede do Sport, mas também os títulos conquistados.

Foi difícil. Não tinha escolinha de futebol como hoje. Não tinha oportunidade nenhuma. Poucas pessoas ajudam. Cheguei a dormir embaixo do leão, perto da avenida Abdias de Carvalho para fazer um teste, a avaliação física. Minha carreira foi promissora e muito boa no Sport. Fui campeão pernambucano, brasileiro (Série B 1990), mas não foi tão fácil. Fácil está agora.

Foto: reprodução vídeo
“Nesse Brasileiro aí, eu mostraria aos “nutellas” que ainda existe jogador raiz”.

Mirandinha também lamentou que seus times do coração não estejam apresentando um bom futebol nesse Brasileirão e criticou a falta de irreverência e de alegria do futebol atual.

Eu não seria o artilheiro, mas eu correria, iria incomodar os zagueiros.  Meus golzinhos iriam sair contra time grandes, principalmente se eu fosse jogar contra o Palmeiras. Se eu fosse escolher, eu queria só jogar clássico. Jogar em time grande como Sport e como o Corinthians, fazem os times medianos se retrancarem e meterem a porrada. O time grande joga e deixa jogar.”

“E eu faria uma fumaça desgraçada. Nesse Brasileiro aí, eu mostraria aos “nutellas” que ainda existe jogador raiz”.

Está faltando sim aquele cara alegre, que gosta de jogar futebol. Porque na época que eu jogava futebol era pouca vaidade e pouco dinheiro. O salário grandioso é de agora, e os caras estão esquecendo de treinar, a verdade é essa. Principalmente, no Corinthians. Depois do treino, a gente treinava finalização, batia bola no gol. E hoje tem isso não porque os atacantes do Corinthians e do Sport não fazem gol como deviam fazer. Mas é uma fase, quero que eles treinem para reverter e deixar os times onde merecem, que é na primeira divisão.”

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“Goleiro e zagueiro do Palmeiras nasceram para levar gol meu”

Irreverente, brincalhão e polêmico, Mirandinha imitava porco a cada gol feito contra o rival Palmeiras. Ao todo, Mirandinha marcou 14 gols em 10 jogos contra o Palmeiras, uma média de 1.4 por Derby. Com isso, o ex-atleta é considerado um dos maiores ‘carrascos’ do confronto.

Palmeiras tem que se contentar. Goleiro e zagueiro do Palmeiras nasceram para levar gol meu”, brinca.

Atualmente, Mirandinha cuida de uma escolhinha de futebol em Pernambuco.

Eu tenho minhas coisas no Recife para tomar conta. E fico no mundo. Fiquei preso (por conta da pandemia) em Tamandaré (litoral sul de Pernambuco) por quatro meses porque eu tenho casa lá. Mesmo assim, ninguém aguenta. Nada paga o preço da liberdade. Você ficar preso em uma casa com piscina não vale a pena. Uma hora o cara quer correr, quer andar, frequentar restaurante, tomar uma cerveja gelada. A liberdade é maravilhosa”, concluiu.

Em junho último, Mirandinha participou do programa Mesa Corinthiana, na TV Central do Timão. Junto com seu parceiro Donizete, contou histórias, se emocionou, brincou, cornetou o futebol “moderno”. Relembre:

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Por Redação da Central do Timão

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